Interferência na PF

Bolsonaro disse que queria nome com “maior afinidade” no comando da PF, diz Valeixo

Ex-diretor da PF disse, porém, que presidente nunca tratou com ele sobre a troca de superintendentes e nunca lhe pediu acesso a relatórios de inteligência

Mauricio Leite Valeixo (crédito: DENIS FERREIRA NETTO/ESTADÃO CONTEÚDO)
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SÃO PAULO – O ex-diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, afirmou, em depoimento prestado nesta segunda-feira (11), que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) queria alguém com “maior afinidade” no comando da corporação e que por isso o exonerou do cargo.

A oitiva teve duração de pouco mais de seis horas e faz parte do inquérito que apura suposta interferência do presidente na autonomia da Polícia Federal. Foi o primeiro de uma série de depoimentos que os investigadores colherão com delegados, ministros e uma deputada federal.

Conforme noticiou primeiro o jornal O Estado de S.Paulo, Valeixo contou, em seu depoimento, que Bolsonaro lhe disse não ter nada contra sua pessoa, mas que buscava um diretor com quem tivesse mais afinidade.

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O delegado, porém, disse que o presidente nunca tratou diretamente com ele sobre a troca de superintendentes e nunca lhe pediu acesso a relatórios de inteligência ou informações sobre investigações ou inquéritos policiais.

Valeixo foi exonerado na madrugada de 24 de abril, episódio que culminou no pedido de demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Ao deixar a pasta, o ex-juiz acusou Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal, pressionando para substituir o diretor-geral sem apresentar razões claras para isso. O mesmo teria ocorrido na Superintendência do Rio de Janeiro.

As falas de Moro deram origem a um pedido de abertura de inquérito pelo procurador-geral da República, Augusto Aras. As investigações foram autorizadas pelo ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com o site G1, Valeixo também disse que, “a partir do momento em que há uma indicação com interesse sobre uma investigação específica, estaria caracterizada uma interferência política, o que não ocorreu em nenhum momento”, na sua avaliação.

Ainda de acordo com o portal, o ex-diretor também teria dito que Bolsonaro telefonou para informar que sua exoneração seria publicada como “a pedido”, mas que “não houve formalização do pedido de exoneração”.

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