Bolsa: no último pregão antes das eleições, mercado tenta não ser pego de surpresa

Apesar das poucas mudanças no cenário macroeconômico, eventos específicos podem movimentar o pregão na bolsa paulista

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SÃO PAULO – No último pregão antes das eleições, os investidores se preparam para não serem pegos de surpresa com o resultado do pleito, portanto, é importante saber como isso pode afetar o mercado de ações.

Diferentemente de eleições anteriores, como em 2002, o cenário macroeconômico não sofreu alterações drásticas este ano, ainda assim, muita coisa pode mudar conforme o resultado das preferências dos eleitores.

Lula ou Alckmin?

No âmbito nacional, as duas hipóteses majoritárias, de acordo com as pesquisas de opinião, são: a reeleição de Lula no primeiro turno ou a realização de um segundo turno entre Lula e Alckmin.

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Em geral, o mercado mostra certa preferência pelo candidato tucano – graças à sua postura mais pró-mercado-, porém, a reeleição de Lula não é encarada com muita preocupação, já que, de fato, pouca coisa deve mudar no plano geral.

Nesse sentido, as mudanças esperadas para o mercado acionário devem mesmo ficar restritas a alguns eventos específicos.

Eletrobrás pode ser privatizada

Hoje, a ação que, certamente, mais reflete o quadro eleitoral é a da Eletrobrás. Grande parte do mercado acredita que uma vitória de Alckmin poderia resultar na privatização da companhia, embora o candidato tucano negue o fato.

A verdade é que admitir a pretensão de privatizar a empresa poderia ter um impacto negativo em termos eleitorais, e, por isso, a hipótese não está descartada, mesmo com as negativas do candidato.

Vale destacar que, durante a gestão do tucano, o Estado de São Paulo, privatizou a Transmissão Paulista e preparou a venda da Cesp.

Marcos regulatórios

Ainda no plano nacional, setores à espera de marcos regulatórios, como o de energia e o de telefonia, também mostram certa apreensão com os resultados da eleição.

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No entanto, as projeções sobre a condução das reformas e da atribuição das agências nacionais por parte de cada um dos concorrentes ainda parecem um pouco nebulosas.

O mercado especula, porém, que alguma mudança mais significativa poderia vir do chamado “choque de gestão” invocado por Alckmin, que promete cortar gastos públicos e aumentar a eficiência da máquina estatal.

O que esperar de segunda-feira?

A pergunta que fica então é: o que esperar de segunda-feira? Sem querer fazer adivinhação, pode-se dizer que o mercado, hoje, precifica a vitória de Lula, portanto, caso o cenário se confirme, a segunda-feira deve ser de poucas emoções.

A ida do pleito presidencial para o segundo turno, no entanto, deve movimentar o mercado, com a possibilidade de algum reflexo negativo oriundo da manutenção das incertezas e da percepção de que a governabilidade entre 2007 e 2010 deve ser afetada.

Eleições estaduais

Nos estados, o destaque também fica com as perspectivas para as elétricas. Em Minas Gerais e no Paraná, acredita-se que as reeleições de Aécio Neves e Roberto Requião não devem alterar o quadro para Cemig e Copel, respectivamente.

Já em Santa Catarina, o cenário é diferente, já que, de acordo com discursos realizados em 2005, o governador do Estado Luiz Henrique da Silveira teria interesse em privatizar a Celesc em um eventual segundo mandato.