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Bendine preso, Temer recordista e Previdência só em 2019: veja os destaques do radar político

Confira as principais notícias do mundo político nesta quinta-feira

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SÃO PAULO – Mesmo na última semana de recesso para o mundo político, o noticiário é intenso nesta quinta-feira (27), com uma nova fase da operação Lava Jato trazendo novos abalos ao prender Aldemir Bendine e a agenda econômica do governo caminhando para mudança de foco nos bastidores. Enquanto aliados já jogam a toalha para a aprovação da reforma da Previdência antes das eleições, técnicos do governo estudam alternativas para compensar a frustração de receitas da União. Por outro lado, mais uma pesquisa mostra a preocupante impopularidade do presidente Michel Temer, que ainda assim tende a derrubar na Câmara a denúncia apresentada pelo procurador-geral Rodrigo Janot.

Confira as principais notícias do dia:

1) Aldemir Bendine preso

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Ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras durante os governos petistas, o executivo foi preso na 42ª fase da operação Lava Jato, batizada de Operação Cobra. Segundo o Ministério Público Federal, há evidências de que Bendine solicitou R$ 17 milhões de propina na época em que esteve à frente do banco público, entre 2009 e 2015, para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht AgroIndustrial. Em acordo de delação premiada, Marcelo Odebrecht e Fernando Reis negaram o pedido por acharem que o requerente não tinha poder de influenciar no contrato. Apesar disso, contam os investigadores que há provas apontando que, pouco antes de assumir a presidência da Petrobras, Bendine e um operador solicitaram nova propina, sob a justificativa de proteger a empreiteira em contratos. Segundo os delatores, foi feito o pagamento de R$ 3 milhões, em meio a uma preocupação de a companhia acabar prejudicada.

Bendine foi detido em Sorocaba, no interior de São Paulo. Segundo a Polícia Federal, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária no Distrito Federal, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Os presos serão levados para a Superintendência da PF em Curitiba.

2) Reforma da Previdência só em 2019

Partidos que compõem a base aliada do presidente Michel Temer defendem que o governo abandone a ideia de votar a reforma da Previdência. Conforme noticia o jornal Folha de S. Paulo, a ideia seria retomar a proposta somente no próximo governo, a partir de 2019. Segundo a reportagem, a ideia ecoa em partidos que somam 173 dos 513 deputados. Vale lembrar que, por se tratar de PEC (Proposta de emenda à Constituição), é necessário apoio de 3/5 das duas casas (ou seja, 308 na Câmara e 49 no Senado) em dois turnos de votação.

Além da perda de forças do governo, pesa sobre a avaliação de parlamentares a proximidade do calendário eleitoral e a forte resistência ao projeto na sociedade. Nesse caso, muitos argumentam que faria mais sentido deixar tudo para depois do que aprovar agora um texto que desfigure completamente o original e provoque efeitos limitados.

O jornal Valor Econômico, por sua vez, chama atenção para a frustração de receitas da União, que faz o governo já estudar novas alternativas. Conta a reportagem que o caminho de revisão das metas para patamares mais confortáveis está no radar, mas é visto como uma opção a ser acionada em caso de impossibilidade de outras ações. Segundo o jornal, técnicos do governo já avaliam propostas como a suspensão ou o adiamento dos reajustes anunciados a várias categorias de servidores e até uma possível elevação da contribuição previdenciária dos funcionários da administração federal, de 11% para 14%. Novos aumentos de impostos não estão descartados, e poderiam vir via IPI ou IOF.

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3) Michel Temer e Moreira Franco seguem na mira

O presidente e seu ministro deverão ser personagens das novas delações de empresas que estão fechando acordo com a Procuradoria-Geral da República. As informações são da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. A depender do que será revelado, as informações podem cumprir o papel dos “fatos novos” capazes de mudar a dinâmica da batalha enfrentada pelo governo para se manter no poder. As expectativas são de que ao menos mais uma denúncia contra o presidente seja apresentada por Rodrigo Janot, que precisará ser apreciada pelo plenário da Câmara dos Deputados.

4) Base projeta vitória

Aliados do governo acreditam que o presidente Michel Temer já conta com o apoio de pelo menos 257 deputados contra a denúncia apresentada pelo procurador-geral Rodrigo Janot, pelo suposto crime de corrupção passiva. As informações são do jornal O Globo, que conta que o governo agora se esforça para construir placar ainda mais elástico como forma de demonstrar força. A avaliação geral é que qualquer resultado acima do projetado é lucro, representando que o peemedebista conta com apoio de mais da metade da casa legislativa.

5) Presidente bate recorde

Em pesquisa divulgada na manhã desta quinta-feira (27) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), o Ibope apontou que a popularidade do presidente Michel Temer caiu para 5%. 21% consideram o governo regular e 70% consideram o governo ruim/péssimo. 3% não souberam ou não responderam. Na pesquisa divulgada no final de março, 10% aprovavam o governo do peemedebista, 31% achavam regular, 55% achavam ruim/péssimo e 4% não souberam ou não responderam.  

O percentual dos que aprovam a maneira do presidente Temer de governar caiu de 20% para 11% e a queda na aprovação se deu em todas as nove áreas específicas de aprovação. Já a desaprovação subiu de 73% para 83%. 10% dos entrevistados disseram confiar no presidente Temer em julho ante 17% em março, enquanto 87% disseram não confiar em Temer, ante 79% do levantamento anterior.

A avaliação de que o governo Temer é melhor do que a gestão de Dilma Rousseff caiu de 18% para 11%, ao passo que o grupo dos que consideram o governo peemedebista pior do que da presidente cassada cresceu de 41% para 52% dos entrevistados. Para 35%, os dois governos são iguais, ante 38% na pesquisa anterior. A pesquisa foi realizada entre 13 e 16 de julho, com 2.000 pessoas em 125 municípios. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou menos, e o nível de confiança, de 95%.

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