BC deve reduzir juros e inflação fica acima de 6% até 2013, diz BNP Paribas

Expectativa do banco é de Selic em 9,5% ao fim do ano que vem, e câmbio ajudando a inflação não alcançar o centro da meta

SÃO PAULO – Em relatório publicado nesta segunda-feira (26), além de cortar a previsão de crescimento global, o BNP Paribas manteve suas estimativas anteriores para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro até 2013.

Neste ano, a expectativa é que a alta seja de 3,5%, mas a taxa deve desacelerar para 2,5% no próximo ano, e se recuperar no seguinte, crescendo 4,1%. Marcelo Carvalho, economista-chefe do banco para a América Latina, se mostra preocupado, portanto, com a inflação, “porque a desvalorização cambial traz um desafio novo nesse sentido”.

Alta dos preços
Se o Banco Central afirma que vai perseguir o centro da meta da inflação brasileira, que é de 4,5%, para alcançá-la apenas ao fim de 2012, o BNP Paribas está pessimista quanto a isso. As projeções da taxa anual de alta nos preços são de 6,7% neste ano e de 6,3% e 6,1% para os dois próximos.

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A desvalorização do real frente ao dólar deve ser em grande parte responsável por esse cenário. O banco projeta em R$ 1,85 a taxa de câmbio ao fim deste ano, número que deve cair até o término de 2012, quando a estimativa vai a R$ 1,67. “O impacto do câmbio é sobre a inflação, pois aumenta o preço das importações que circulam aqui no Brasil”, estima o economista. “Se o real se desvalorizar ainda mais e o preço das commodities continuar subindo, o impacto sobre a inflação será maior”, diz.

Auxiliando esse movimento está o atual ciclo de afrouxamento monetário praticado pelo Copom (Comitê de Política Monetária). No último dia 31 de agosto, o órgão cortou a Selic em 0,5 ponto percentual, para 12% ao ano, apesar da inflação galopante. “Prevemos um ciclo total de afrouxamento de 3 pontos percentuais, incluindo o já feito na última reunião”, afirma Carvalho. Isso traria a taxa básica para 9,5% ao ano ao fim de 2012.

“Com quadro fiscal não se brinca”
Para que a queda na Selic não traga consequências maiores para a inflação, o BNP Paribas pede que a contenção de gastos se intensifique no governo brasileiro. “Essa crise pelo mundo deixa uma lição: com quadro fiscal não se brinca”, avalia o economista. Segundo ele, os níveis de endividamento do Brasil em relação às nações desenvolvidas ainda são bons, mas não ideais.

Carvalho espera que o setor público comece a pensar em ajuste fiscal através de redução nos gastos correntes de custeio, e não na alta da arrecadação de impostos. A taxação, inclusive, deve trazer menos dinheiro para a União já no ano que vem, o que pode complicar a política de cortes da presidente Dilma Rousseff.

Para a resolução do problema, porém, o economista toca num assunto polêmico. Ele acredita que não há como pensar em controle fiscal no longo prazo sem se mexer na Previdência. “A Previdência deve sofrer alterações para a saúde das contas do setor público no longo prazo”, finaliza.