CPI da Petrobras

Barusco afirma que recebeu dinheiro da SBM para reforçar campanha do PT em 2010

“Aqueles 300 mil dólares que eu mencionei como reforço de campanha eram para a campanha eleitoral de 2010”, disse ex-gerente na CPI da Petrobras; declarações acirraram os ânimos entre os parlamentares

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SÃO PAULO – O ex-gerente de seviços da Petrobras, Pedro Barusco, confirmou nesta terça-feira, na CPI da Petrobras, que parte da propina paga a empresas que tinham contrato com a estatal foram repassadas ao  tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O ex-diretor também disse que recebeu dinheiro da empresa SBM Offshore, uma das investigadas na Operação Lava Jato, para reforçar a campanha eleitoral do PT em 2010, confirmando o depoimento prestado à Justiça Federal no processo de delação premiada.

Ele disse, em depoimento, que em 2010 Renato Duque (então diretor de Serviços da Petrobras, ao qual Barusco era subordinado) pediu ao empresário Júlio Faerman, representante da empresa holandesa SBM, US$ 300 mil como “reforço” de campanha eleitoral, “provavelmente” a pedido de João Vaccari Neto, quantia que teria sido “contabilizada” por ele como “pagamento destinado ao PT”.

“Aqueles 300 mil dólares que eu mencionei como reforço de campanha eram para a campanha eleitoral de 2010.”, disse Barusco à CPI.

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Ele detalhou nos depoimentos propinas pagas por conta dos contratos da empresa SeteBrasil, contratada pela Petrobras em 2011 para construir sondas de perfuração do pré-sal. Ele disse que a propina era distribuída da seguinte maneira: 2/3 para Vaccari e 1/3 para a “Casa” – ou seja, para os diretores da Setebrasil: Barusco, João Carlos de Medeiros Ferraz (presidente da Setebrasil) e Eduardo Musa (diretor de Participações).

“Quem combinou estes percentuais e onde vocês se encontravam?”, perguntou o deputado Delegado Waldir (PSDB-GO). “Eu comparecia em alguns encontros com Vaccari, normalmente em hotéis”, disse Barusco. “Mas quem deu procuração a Vaccari para arrecadar a propina?”, perguntou o deputado. “Eu não sei quem deu procuração para Vaccari atuar nas empresas, mas o fato é que ele operava”, respondeu.

Barusco disse à PF ter recebido propinas de maneira sistemática da SBM entre 2000 e 2003, quando era gerente de Tecnologia de Instalações. No período, afirmou, recebia quantias que variavam entre US$ 25 mil a US$ 50 mil por mês.

Em 2007, segundo ele, foi firmado outro contrato entre a SBM e a Petrobras, dessa vez para o fornecimento de um navio-plataforma chamado P57, um contrato de R$ 1,25 bilhão. Barusco disse que recebeu, só pelos contratos entre a Petrobras e a SBM, US$ 22 milhões entre 1997 e 2010.

Ele disse à Justiça que, entre 2003 e 2011, houve pagamento de propinas para ele, Barusco, bem como para João Vaccari e Renato Duque, relativo a cerca de 90 contratos de grande porte da Petrobras. À CPI, Barusco disse não saber como Vaccari atuava, ou seja, como operacionalizava o dinheiro recebido.

E as afirmações geraram divergências entre os parlamentares e discussão na CPI. “Partidos como o PSDB estão gostando deste depoimento em que o depoente não explica tudo e diz meias verdades. Ele não sabe para onde foi o dinheiro e não quer explicar se tem interesses em empresas internacionais”, disse a deputada Maria do Rosário (PT-RS).

(Com Agência Câmara)