Barroso decide votar sobre descriminalização do aborto em seu último ato no Supremo

Ministro pediu sessão virtual extraordinária para registrar seu voto antes da aposentadoria

Marina Verenicz

Luís Roberto Barroso,  (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Luís Roberto Barroso, (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

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O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que um de seus últimos atos antes da aposentadoria será votar na ação que trata da descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. A decisão foi comunicada nesta sexta-feira (17) e confirmada por ministros da Corte, segundo a Folha de S.Paulo.

Barroso enviou um pedido ao presidente do STF, Edson Fachin, para que seja aberta uma sessão virtual extraordinária que permita a inclusão de seu voto na ADPF proposta pelo PSOL, que busca retirar a punição à interrupção voluntária da gravidez. Ele se aposenta oficialmente neste sábado (18).

Com a manifestação de Barroso, o processo passa a contar com dois votos — o dele e o da ministra aposentada Rosa Weber, que se despediu do tribunal deixando registrado voto favorável sobre o tema, em setembro de 2023.

Oportunidade com segurança!

Até então, o julgamento estava suspenso desde que Barroso, à época presidente da Corte, pediu destaque da ação, o que levaria o tema ao plenário presencial. Agora, ao solicitar o cancelamento do destaque, o ministro recoloca o caso em votação no plenário virtual, abrindo caminho para que sua posição seja registrada.

Histórico de posicionamento

Barroso é um dos ministros do Supremo mais identificados com a defesa dos direitos reprodutivos e da autonomia das mulheres. Antes de chegar à Corte, em 2013, ele atuou como advogado na ação que descriminalizou o aborto em casos de anencefalia fetal, julgada em 2012.

Durante seu mandato como presidente do STF, encerrado em setembro deste ano, Barroso não pautou o tema para o plenário, alegando que o país “ainda não estava pronto” para uma deliberação sobre o assunto.

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Caso o ministro não se manifeste, o voto ficaria a cargo de seu sucessor. O nome mais cotado para a vaga é o do advogado-geral da União, Jorge Messias.

A ADPF 442 discute se artigos do Código Penal de 1940, que criminalizam o aborto, violam princípios constitucionais como a dignidade da pessoa humana, a igualdade e a liberdade.