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Barclays rebaixa recomendação e preço-alvo aos ADSs da Petrobras

Equipe teme influência crescente do governo sobre administração; "empresa poderá ter de fazer nova oferta em 2013", alerta

SÃO PAULO – Depois da Itaú Corretora, nesta quarta-feira (6) foi a vez da equipe do Barclays reduzir sua recomendação e preço-alvo aos papéis da Petrobras, citando preocupação quanto a riscos políticos e múltiplos não-atrativos.

Os analistas do banco de investimentos reduziram sua recomendação aos ADSs (American Depositary Shares) representantes de ações preferenciais de “overweight” – desempenho acima da média do setor em um horizonte de 12 meses – para “equalweight” – desempenho em linha com a média do setor. O preço-alvo também foi rebaixado, de US$ 39,00 por cada ADS para US$ 34,00.

Por sua vez, os ADSs representantes de papéis ordinários tiveram seu preço-alvo reduzido de US$ 40,00 cada para US$ 35,00. Para tais ativos, no entanto, o Barclays optou por manter inalterada sua recomendação, que já era “equalweight”.

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A mão visível do governo
Entre os diversos fatores que explicam a decisão tomada por Paul Cheng, Christina Cheng e Danielle Diamond – analistas que assinam o relatório do Barclays -, muitos têm um pano de fundo comum: o risco político. “Acreditamos que há razão para se temer que o próximo governo possa elevar o papel da Petrobras como ferramenta de desenvolvimento econômico e social do País”, explica o trio.

Desta forma, o acionista minoritário poderá assistir a uma queda em seus retornos nos próximos anos, como fruto de decisões tomadas pela empresa, guiadas não pela racionalidade do mercado, mas sim por interesses políticos.

Um exemplo dado pelo Barclays é a recente mudança na estratégia da Petrobras no segmento de refinarias. “Ao invés de investir em refinarias estrangeiras simples, a companhia decidiu elevar sua capacidade dentro do País, embora o custo de se construir novas refinarias no Brasil seja significativamente maior do que lá fora”, dizem os analistas.

Segundo a equipe, o volume total a ser despendido pela Petrobras na construção de novas refinarias no Brasil poderia exceder os US$ 150 bilhões dentro dos próximos 10 anos. “Acreditamos que isso trará retornos significativamente menores à companhia e que, em resposta, os papéis apresentem um desempenho desfavorável por um longo período de tempo”, afirmam.

A maior influência do governo na condução administrativa da companhia, aliás, pode vir na forma direta de mudança em sua diretoria. “Não ficaríamos surpresos se o atual CEO, José Sergio Gabrielli, e o CFO, Almir Barbassa, saíssem do controle da empresa depois das eleições presidenciais”, dizem os analistas. “Ainda que tal possível alteração não constitua um completo choque ao mercado, ela traria um risco adicional frente ao agressivo plano de investimentos da Petrobras nos próximos anos”, concluem.

Nova lei do petróleo
Outro aspecto visto com cautela pelo Barclays, também de fundo político, diz respeito à possível mudança na legislação brasileira sobre a exploração de petróleo, cujo projeto de lei estabelece a Petrobras como única operadora das reservas do pré-sal e um percentual mínimo de 30% sobre todos os demais consórcios à estatal. “Ao contrário da crença comum, vemos esta nova lei como neutra ou negativa à Petrobras”, dizem.

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Um dos argumentos apresentados pela equipe para justificar sua atípica visão é o de que “a Petrobras teria representação significativa na área com ou sem a lei, dado seu extenso conhecimento sobre a região. Na nossa opinião, aliás, a lei pode limitar a flexibilidade da companhia de escolher as melhores oportunidades de investimento”, explicam os analistas.

Um segundo argumento é um pouco mais complexo. Na visão da equipe do Barclays, por detrás do novo projeto de lei, pode estar uma motivação crescente do governo em elevar seus mecanismos de controle sobre a Petrobras, o que representaria uma reversão parcial dos processos de privatização no ramo petrolífero brasileiro, implementados no final dos anos 1990. “Se estivermos certos, a ‘mão invisível’ do governo se tornará cada vez mais visível”, alertam.

Ambiente de custos e uma possível nova oferta
Além dos aspectos políticos, outros também influenciaram na decisão do Barclays de rever suas recomendações e preços-alvo aos papéis da Petrobras. “Estamos preocupados quanto a um possível aumento do ambiente de custos no Brasil nos próximos anos, face aos pesados investimentos a serem realizados”, em função da Copa do Mundo de 2014, das Olimpíadas de 2016, entre outros eventos.

A equipe do Barclays também alerta para a possibilidade de leve deterioração em certos indicadores contábeis da empresa caso o preço do barril de petróleo internacional não se mantenha acima dos US$ 80,00 cada, como seu fluxo de caixa, endividamento líquido e necessidade de financiamento. “A companhia poderá ter que realizar nova oferta de ações por volta de 2013 a 2014”, dizem os analistas.

Múltiplos não-atrativos
Por fim, tomando como prerrogativa uma projeção de US$ 85,00 para o preço do barril de petróleo em 2011, os múltiplos dos ADSs da Petrobras estariam acima dos de outras concorrentes, o que também sustenta a revisão negativa na recomendação do Barclays.