Diz O Globo

Barbosa estica a corda e sugere corte de 15 ministérios, mas Dilma resiste

Presidente prefere mexer menos no status das pastas e realocação de caciques e aconselha ministro a focar maior corte nos cargos comissionados

SÃO PAULO – As recentes derrotas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na disputa pelo estratégia econômica do governo trouxe a leitura de que Nelson Barbosa, ministro do Planejamento, cresceu e ocupou novos espaços do poder. No entanto, mesmo Barbosa, que tem sido mais escutado pela presidente Dilma Rousseff, parece não contar com vitórias garantidas no Executivo.

Na edição desta quinta-feira (3), o jornal O Globo noticia que o chefe do Planejamento teria sugerido à presidente o corte de 15 ministérios – 5 a mais do que o anunciado na semana passada. O jornal diz que Barbosa apresentou estudo que com a indicação de uma incorporação do Desenvolvimento Agrário à Agricultura ou ao Desenvolvimento social. Dilma, entretanto, teria resistido à proposta e aconselhado seu comandado a ampliar o enxugamento ministerial através de cortes mais expressivos nos cargos comissionados – acima dos 22 mil previamente informados.

Uma das principais críticas feitas à sinalização de corte de pastas é que isso pouco implicaria em redução de despesas e traria um enxugamento modesto da máquina, ao passo que traria novos problemas para a acomodação de membros da base aliada em troca de governabilidade no Legislativo. Além disso, a submissão de uma pasta de interesse ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ao ministério comandado por Kátia Abreu, conhecida como figura mais alinhada com o agronegócio, poderia gerar grandes problemas ao governo.

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A despeito da redução do tamanho do cobertor e a excessiva fragmentação de uma base muito ampla, Dilma tenta articular para favorecer mais o PMDB na reforma ministerial, visto a importância do partido para a governabilidade em momentos de crise e a insatisfação de caciques com a primeira acomodação da Esplanada. Apesar do número expressivo de pastas recebidas, peemedebistas reclamam da pouca relevância e pequena margem de manobra discricionário entregues. A presidente busca uma reaproximação com o partido após a saída do vice Michel Temer e do ministro da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, da articulação política.