Banco revisa para baixo estimativas para Ucrânia, Cazaquistão e Rússia

Goldman Sachs vê cenário mais desafiador para países do leste europeu e asiáticos

SÃO PAULO – O Goldman Sachs reduziu suas projeções acerca do desempenho das economias da Rússia, do Cazaquistão e da Ucrânia, entendendo que as três atravessam momento de “severa ressaca do estouro da bolha global de crédito e da queda no preço das commodities”, nas palavras de Rory MacFaquhar, economista da instituição em Moscou.

O tombo nos preços do petróleo, do gás e de produtos metálicos, carros-chefe da pauta de exportação dos referidos países, tem tornado difícil para as companhias e bancos da região honrarem seus empréstimos em moeda estrangeira.

Neste ano de 2009, a perspectiva para a economia russa é de contração de 5,5% e, para a Cazaquistão, de 3% – diante de estimativas anteriores de -3,5% e de crescimento zero, respectivamente. O caso mais preocupante, no entanto, fica por conta dos ucranianos, que devem assistir a um recuo de 15%, contra a estimativa inicial de -2%.

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Antevendo o “pouso problemático”, os analistas do Goldman Sachs sinalizam que talvez a forma mais efetiva de restaurar as condições econômicas na Ucrânia seja por meio de um robusto aporte de US$ 10 bilhões. Sob a forma de ajuda adicional, um valor de tamanha expressão só os membros do G-8 conseguiriam suportar.

Crédito ruim na espreita

Já na Ásia, falta muito pouco para as agências de rating rebaixarem a classificação de crédito da dívida dos tailandeses, que enfrentam grave crise política nos últimos dias. Manifestantes pedem a renúncia de Abhisit Vejjajiva, o primeiro-ministro da Tailândia, que declarou estado de emergência no país.

Kim Eng Tan, da diretoria da Standard & Poor’s em Singapura, afirma que há uma “chance significativa” de rebaixamento da classificação. “Nós temos um cenário negativo para o rating do governo por conta da insistente divisão na política tailandesa”.

O clima de tensão e insegurança pode agravar a situação de uma economia que vê a sua primeira recessão em onze anos e deve experimentar considerável afluxo de capitais em função do último mês de ganhos nos mercados globais. A perspectiva é, conforme analistas, desfavorável aos tailandeses: mesmo que haja a renúncia, a cena política não deve se alterar de forma expressiva.