Menor exposição

Banco estrangeiro alerta para riscos em 2º mandato de Dilma e “rebaixa” títulos do Brasil

Estrategista do Deutsche Bank avalia que fundamentos macroeconômicos estão deteriorados e acredita que a presidente será reeleita

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SÃO PAULO – Após o recente rali eleitoral que mostrou o maior otimismo do mercado financeiro frente à possibilidade de Dilma Rousseff não ser reeleita, o banco alemão Deutsche Bank recomendou menor exposição aos títulos brasileiros. O banco rebaixou a recomendação do Brasil de neutra para underweight (exposição abaixo da média dos outros ativos) em meio à valorização dos ativos e os fundamentos econômicos ainda ruins. E, para o banco, a atual presidente deve sim se manter no poder ao se reeleger.

O estrategista Hongtao Jiang acredita que Dilma vença as eleições presidenciais no 2º turno, mas aponta para um pleito mais apertado e com maior apelo populista. De acordo com Jiang, o mercado está otimista demais frente a uma melhora dos fundamentos econômicos. Mas ele acredita que não haverá mudança na política econômica do país em um segundo mandato da presidente e destaca que as eleições de outubro devem servir apenas como um fator de restrição, o que limita o escopo de mudanças mais significativas do governo na política econômica.

Ele avalia que a popularidade de Dilma continuará caindo em meio ao cenário desfavorável para a economia, crise de energia, CPI da Petrobras (PETR3;PETR4) e em meio às dificuldades para sediar a Copa do Mundo, mas que não deve ser suficiente para impedir a reeleição. 

Assim, em meio a essa dinâmica, o estrategista avalia que o PT (Partido dos Trabalhadores) conduzirá a campanha provavelmente com forte apelo populista, o que não deve contribuir para a melhora de percepção sobre um segundo mandato de Dilma Rousseff. Tal apelo populista, disse Jiang, foi explicitado no discurso de 1º de maio da presidente, que anunciou o reajuste de 10% nos valores do Bolsa Família e a correção da tabela do Imposto de Renda em 4,5% para 2015, além de manter a política de reajuste do salário mínimo crescendo a um ritmo maior do que a inflação para além de 2015.

Exposição menor no Brasil
Em meio a esse cenário, Jiang avalia que o ideal é reduzir a exposição em títulos do País e rebaixou a recomendação após tê-la elevado em janeiro. O banco reconsiderou a recomendação após a recente valorização dos ativos e os fundamentos macroeconômicos deteriorados.

O estrategista aponta que o sub-índice Brasil registrou uma queda de 25 pontos-base desde o final de março, o que refletiria uma melhora na percepção do risco-País. Contudo, no momento, ele está negociado a 15 pontos-base abaixo da média dos títulos de países emergentes com rating soberano de grau de investimento, o que “não compensa o risco de deterioração contínua dos fundamentos caracterizados por estagflação, piora no balanço de pagamentos, deterioração fiscal, e um horizonte desafiador de política econômica antes e depois das eleições”.

O estrategista ressalta que a perspectiva para os fundamentos econômicos do Brasil é desafiadora e que a inflação segue sob pressão, agravada por condições climáticas desfavoráveis. Enquanto isso, o risco de racionamento de energia em 2015 deverá causar uma redução mais expressiva da atividade econômica, com a balança comercial se deteriorando continuamente e a estagflação parecendo ser o “futuro próximo” do País.