Eleições

Baleia Rossi é escolhido pelo bloco de Rodrigo Maia candidato à presidência da Câmara dos Deputados

Líder do MDB vai representar bloco de 11 partidos na disputa pelo comando da casa legislativa pelos próximos dois anos

SÃO PAULO – O deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP) é o escolhido para representar o bloco liderado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nas eleições para a presidência da casa legislativa pelos próximos dois anos. O grupo é formado por PT (53), PSL (41), MDB (34), PSDB (31), PSB (31), PDT (28), DEM (28), Cidadania (8), PV (4), PCdoB (9) e Rede (1).

O anúncio foi feito após o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder da maioria na casa, desistir de lançar candidatura própria. “Entendo que no projeto que nós integramos a defesa da democracia, da independência da Câmara dos Deputados, da liberdade do nosso país, eu decidi decidir. E abri mão da nossa pré-candidatura para que, dando um passo atrás, o Brasil possa dar um passo à frente com a consolidação da candidatura do deputado Baleia Rossi representando esse espírito e esse projeto”, disse.

A decisão ocorre duas semanas após o líder do “centrão”, Arthur Lira (PP-AL), formalizar sua candidatura, em um arco de alianças que envolve PL (42), PP (41), PSD (34), Republicanos (31), Solidariedade (13), PTB (11), Podemos (10), Pros (10), PSC (9), Patriota (6) e Avante (8), além de contar com a simpatia do próprio Palácio do Planalto.

O processo de construção de um entendimento em torno da candidatura de Baleia Rossi foi marcado por disputas internas no bloco capitaneado por Maia. A corrida interna começou com seis postulantes e se intensificou após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impediu a possibilidade de recondução de presidentes nas casas em uma mesma legislatura.

O martelo foi batido após reunião realizada mais cedo pela bancada do PT. Parte da sigla resiste a apoiar Baleia Rossi por conta do papel desempenhado pelo MDB no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O risco de perda de apoio na bancada petista é uma das principais preocupações no bloco de Maia.

“A decisão tira de mim um peso difícil, que era decidir entre dois grandes nomes”, afirmou Maia no anúncio em frente à residência oficial da presidência da Câmara dos Deputados.

“É importante que, a partir de agora, o líder Baleia, que liderava um partido, muito focado… a necessidade de dialogar com todos os partidos, principalmente com aqueles que têm divergências ideológicas conosco, mas uma convergência em princípios, principalmente os princípios da nossa democracia”, pontuou.

O grupo autointitulado independente supera 257 deputados – número de votos necessário para uma vitória em primeiro turno. Contudo, defecções em bancadas são normais em eleições para a mesa diretora da Câmara dos Deputados.

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É o caso do PSL, sigla que ainda abriga parlamentares bolsonaristas que deverão votar em Lira. Como o voto é secreto, a tendência é que haja menor controle efetivo sobre acordos de cúpula firmados. Por isso, negociações feitas “no varejo” são fundamentais no processo.

Entre membros do “centrão”, há a avaliação de que o envolvimento do Palácio do Planalto na disputa com liberação de emendas e posições no governo pode estimular traições no bloco adversário.

No discurso de formalização da candidatura, Baleia Rossi ressaltou o amplo arco de apoio formado, incluindo siglas da centro-direita à esquerda, e prometeu diálogo com todos os 513 deputados, eleitores da disputa de 1º de fevereiro. “Com humildade, vamos conversar com cada um dos parlamentares, para reafirmar os compromissos que assumimos na frente ampla e com os partidos do nosso campo”, disse.

Baleia Rossi é o atual presidente nacional do MDB e líder da bancada do partido na Câmara dos Deputados, além de filho do ex-deputado e ex-ministro Wagner Rossi. Em discurso, o parlamentar também fez acenos a parlamentares progressistas e lembrou de uma frase conhecida de Ulysses Guimarães, ex-presidente da Câmara dos Deputados e expoente da Constituição de 1988: “tenho ódio e nojo das ditaduras”.

“O que nos une neste momento é a defesa intransigente da nossa democracia, do nosso estado democrático de direito, das liberdades, do respeito às minorias. E claro que num bloco partidário que tem posições diferentes sobre diversos temas, essa diferença nos fortalece e demonstra que na democracia uma das belezas é respeitar quem pensa diferente de você”, disse o deputado.