Baixo desemprego trará aumento nos salários e na Selic, prevê Citi

Próxima reunião do Copom trará alta de 75 pontos-base sobre juro, dizem analistas; desemprego está abaixo da "taxa natural"

SÃO PAULO – A surpreendentemente baixa taxa de desemprego divulgada na última quinta-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é tema de relatório do Citi. Nele, o banco ilustra suas projeções face a melhora nos números: iminente aperto monetário e elevação nos salários.

“Em abril, a taxa de desemprego diminuiu para 7,3% (de 7,6%), confirmando que o mercado de trabalho segue apertado a níveis sem precedentes”, observam Marcelo Kfoury, Stephan Kautz e Leonardo Porto, analistas que assinam a análise do Citi. Para eles, o atual patamar “destaca a pequena (isto é, se há alguma) folga no mercado de trabalho”.

Economia aquecida
Analisando o cenário macroeconômico do País, a equipe aponta dados que apontam forte aquecimento, como é o caso das exportações em maio, da intensa produção industrial e do crédito em expansão – com queda na inadimplência. Além disso, apontam também para o fato do desemprego, em seu atual patamar, figurar abaixo do tido como o “natural”, que, citando artigos recentes, o Citi projeta ser algo entre 7,4% e 8,5%.

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Salários mais altos
Dado o quadro, os analistas preveem que, como consequência, poderá haver uma elevação nos salários e nos preços. “Uma pressão adicional sobre os mercados de trabalho deve levar a um aumento dos salários reais, ao invés de mais emprego, o que, na nossa opinião, pode elevar as pressões inflacionárias”, afirmam.

Escalada do juro 
Por fim, a equipe revela suas projeções com relação à política monetária. “Pode-se esperar que o Banco Central continue elevando a taxa de juro, buscando desacelerar o crescimento econômico e evitar uma deterioração nas perspectivas de inflação”, diz o trio de analistas.

As estimativas do Citi apontam para uma taxa Selic a 13,25% ao ano em janeiro de 2011, sendo que, já na próxima reunião, marcada para 9 de junho, deve haver um ajuste para cima de 0,75 ponto percentual sobre os atuais 9,5% ao ano.