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Aversão a risco deve voltar à cena com incertezas sobre crise na Líbia

No entanto, consultor revela que o impacto será menor que o do Egito, por conta dos temores quanto ao Canal de Suez

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SÃO PAULO – As tensões políticas no norte da África e no Oriente Médio, polarizadas pelos conflitos na Líbia, podem continuar a pressionar o mercado de ações, dizem analistas e gestores. Mesmo com destino incerto da crise, aversão ao risco deve voltar à cena.

“Tudo o que envolve a região pode impactar, porque é uma importante região produtora de petróleo”, destacou José Costa Gonçalves, diretor da Máxima Asset Management. “O petróleo pode se valorizar, não é uma situação muito confortável”, completou.

Incertezas
No entanto, Gonçalves ressaltou que é muito difícil prever qual será o impacto exato para os mercados acionários, uma vez que o resultado dependerá do que ainda vai acontecer nesta região. “Há um elevado grau de incerteza”. Se os manifestantes atacarem as refinarias, por exemplo, o impacto poderá ser muito maior, argumentou.

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Deste modo, o diretor da Máxima Asset Management lembrou que, quando se possui um cenário de indefinição, os investidores tornam-se mais cautelosos.

Impacto limitado
Raphael Martello, economista da Tendências Consultoria, concorda com a afirmação de Gonçalves, ao indicar que a queda nos mercados de ações está acontecendo mais por conta da aversão ao risco por parte dos investidores, já que estes podem procurar por ativos mais seguros, o que poderá nos penalizar, afirmou.

Mas o economista da Tendências aponta que os mercados não deverão sofrer tanto quanto ocorreu com os protestos no Egito, quando o Ibovespa perdeu 6,02% desde o início dos protestos até a renúncia de Hosni Mubarak. “Por enquanto não devemos ter o mesmo impacto, porque não temos a mesma questão por causa do temor do Canal de Suez, com ameaças de cortar o fornecimento de petróleo na região”, argumentou.

Por outro lado, Martello apontou que o impacto deve ser maior para as petrolíferas, mas que deverá ser limitado. “Acho que a exportação de petróleo é o grande mercado que deve ser impactado. (…) Os países possuem reservas o suficiente para fazer frente a um período de escassez, não vejo como uma crise tão generalizada”, apontou. Quanto ao preço do barril de petróleo, este deverá se manter pressionado até a dissolução dos conflitos na região, ressaltou.

Segunda-feira sob pressão
Analisando o curtíssimo prazo, o economista da Tendências afirmou que, como temos um feriado nos EUA e uma agenda de indicadores econômicos internacionais muito vazia deste dia, o mercado pode repercutir essa tensão nos países do norte da África e do Oriente Médio.