Pesquisa

Avaliação positiva de Bolsonaro salta para 37%, mostra XP/Ipespe

Auxílio emergencial, maior otimismo com a economia e menos medo da população com a pandemia embalam nova alta do presidente

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SÃO PAULO – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) experimentou, em agosto, o maior salto em seus níveis de aprovação desde o início de sua gestão e se aproxima da melhor marca do mandato, amparado por um aumento do apoio dos eleitores com renda de até 5 salários mínimos. É o que mostra nova rodada da pesquisa XP/Ipespe, realizada entre os dias 13 e 15 e divulgada nesta segunda-feira (17).

De acordo com a pesquisa, 37% dos eleitores consideram a atual gestão como ótima ou boa – o que corresponde a uma alta de 7 pontos percentuais em relação a julho e um salto de 12 pontos em comparação com a pior marca, registrada em maio. Com isso, o presidente repete desempenho de seu terceiro mês de mandato.

As avaliações negativas, que chegaram representar o dobro das positivas em maio, agora estão nos mesmos 37% – um recuo de 8 pontos em relação ao mês passado. Trata-se da melhor marca em cinco meses. O levantamento contou com 1.000 entrevistas realizadas pelo telefone com eleitores de todas as regiões do país. A margem máxima de erro é de 3,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

A melhora na avaliação do governo vem dos estratos da população com renda familiar mensal de até 5 salários mínimos, população que concentra os que requisitaram o auxílio emergencial, benefício de R$ 600 pago pelo governo durante a pandemia e que chegará ao fim em setembro, caso não haja nenhuma nova prorrogação.

Entre os mais pobres, com renda de até 2 salários mínimos, a aprovação foi de 28% para 34%, e entre os que têm renda de 2 a 5 salários mínimos, de 32% para 44%. No caso deste grupo, é o melhor desempenho do presidente desde o início do mandato.

O levantamento também expõe um dilema que o governo federal deverá enfrentar: 70% dos entrevistados defendem a continuidade do benefício de R$ 600. O programa tem amplo apoio mesmo entre aqueles que não tiveram acesso ao benefício. Nesse grupo, são 64% os favoráveis à prorrogação no mesmo valor. Apenas 14% dos entrevistados defendem que o benefício não deve ser estendido.

O tema ainda está em discussão no Poder Executivo e preocupa a equipe econômica pelo impacto fiscal da medida: R$ 50 bilhões por mês. Caso o governo opte por dar continuidade ao programa, mas com valores mais baixos, terá de encaminhar proposição para deliberação do Congresso Nacional – o que implica em risco de derrotas. Se optar por manter o montante atual, é possível prorrogar via decreto.

A melhora nos níveis de aprovação de Bolsonaro é seguida por outros indicadores. Segundo o levantamento, as expectativas positivas para o restante do mandato do presidente cresceram de 33% para 37% de julho pra cá. Já as expectativas negativas caíram de 43% para 36% no mesmo intervalo.

A alta nos índices também coincide com uma diminuição na preocupação dos brasileiros com a pandemia do novo coronavírus (apesar da persistência do país em um quadro de mais de 1.000 óbitos diários pela doença) e um maior otimismo em relação à economia.

Segundo a pesquisa, 33% dizem estar com muito medo da doença – o que corresponde a um recuo de 5 pontos percentuais em relação à marca de julho e de 15 pontos contra o pico verificado no fim de abril. O resultado é o menor já registrado desde março, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou pandemia, e só supera fevereiro, quando nenhuma morte havia sido registrada no Brasil.

Agora, 28% dos entrevistados dizem não estar com medo da Covid-19 – mesma marca do início da pandemia, embora ainda distante dos 49% registrados seis meses atrás. O grupo dos que acreditam que o pior já passou saltou de 39% em julho para atuais 52%.

O levantamento também mostra que 50% dos eleitores consideram ruim ou péssima a atuação de Bolsonaro para enfrentar a pandemia. Apenas 24% avaliam as ações do presidente como positivas. Neste item, os números não mostram grandes alterações em relação à edição anterior.

Do lado da economia, o grupo dos que acreditam que o país está no caminho certo chegou a 38%, retornando aos patamares pré-crise, registrados em fevereiro. Na outra ponta, 46% dizem que o país está na direção errada, o que corresponde a um recuo de 6 pontos em comparação com julho e de 11 pontos ante o pico de maio.

O levantamento também mostra que chegou a 52% o percentual de entrevistados que veem chances grandes de manter o emprego nos próximos seis meses e caiu para 24% o grupo dos que esperam um aumento de suas dívidas. São os melhores índices desde o início da pandemia.

Governadores

Na contramão do ganho de popularidade de Bolsonaro, os governadores experimentam um recuo em seus índices. O levantamento mostra que o grupo dos eleitores que avaliam positivamente o desempenho de seus gestores estaduais vem diminuindo sistematicamente desde abril, quando chegou a bater 44%. Agora, são 33%. Os maiores tombos foram observados nas regiões Sudeste, Norte e Centro-Oeste.

Segundo a pesquisa, no entanto, os eleitores continuam atribuindo melhor nota ao desempenho dos governadores na crise do novo coronavírus em comparação com o presidente. Para 38%, a gestão dos comandantes estaduais é ótima ou boa, um saldo de 14 pontos percentuais em relação a Bolsonaro.

Investigações

A pesquisa também ouviu a opinião dos entrevistados sobre as investigações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e seu ex-assessor Fabrício Queiroz, em prisão domiciliar desde julho.

Segundo o levantamento, 69% tomaram conhecimento das apurações sobre a suposta prática de rachadinha no gabinete do parlamentar quando era deputado estadual na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

Na avaliação de 33%, a continuidade da investigação poderá afetar muito o governo Jair Bolsonaro. Outros 24% acreditam que impactará um pouco a gestão, e 27% não veem nenhum efeito.

A pesquisa também mostra que 66% tomaram conhecimento das notícias recentes sobre depósitos feitos por Queiroz na conta bancária da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Dos entrevistados, 18% acreditam que as informações são provavelmente falsas. Entre os que votaram em Bolsonaro nas últimas eleições, este percentual salta para 28%.

Para 36% dos entrevistados, os impactos das informações são altos sobre o governo. Outros 26% veem efeito moderado, e 29% não acreditam que haverá impacto.

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