Austrália: nova premiê deve reformular taxas sobre minério de ferro, diz banco

Analista do Société Générale avalia que Julia Gillard irá , "no mínimo", rever a super taxa proposta às mineradoras do país

SÃO PAULO – Diante da renúncia de Kevin Rudd ao posto de primeiro ministro da Austrália nesta quinta-feira (24) e a posse de Julia Gillard na liderança do governo, a visão do Société Générale é a de que, muito provavelmente, a nova premiê estará mais sincronizada aos anseios da população.

Isso porque a principal razão da queda de Rudd foi justamente à sua má percepção com relação aos interesses dos australianos, apontam os analistas.

O ex-primeiro ministro travara intensa batalha para impor ao setor de mineração, conhecido pela presença de importantes empresas como BHP Billiton e Rio Tinto, taxas sobre o lucro de até 40%, substituindo o sistema de royalties pagos aos governos regionais, atualmente em vigor.

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Uma vez que grande parte da população detém ações ou algum outro tipo de investimento atrelado às companhias do setor, o que era para ser mais um encargo às empresas passou a ser motivo de queda de sua popularidade, sugere o Société Générale.

Sincronismo e reformulação
“Com o eleitorado australiano tendo claramente indicado que são consideravelmente mais laissez-faire (liberais) quando se trata de seus próprios investimentos, é muito provável que Gillard esteja particularmente sintonizada com o sentimento do eleitorado”, avalia Glenn Maguire, analista que assina o relatório do Société.

Em seu ponto de vista, a nova líder do governo irá, ao menos, alterar as propostas de seu sucessor. “No mínimo, o imposto sobre os super lucros será fundamentalmente reformulado”, assinala.

Vale notar que Julia Gillard será a primeira premiê feminina do país e terá como seu vice o ministro das Finanças, Wayne Swan.