Análise

Ausência de Bolsonaro em debate enfraquece primeira grande disputa da reta final da campanha eleitoral

A menos de um mês da eleição, o programa de hoje exigia postura mais ofensiva – mas, sem Bolsonaro no púlpito, ficou impossível deflagrar a estratégia de maneira direta

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Com a ausência de Jair Bolsonaro no debate da TV Gazeta, ficou enfraquecida a primeira grande disputa da reta final da campanha: a tentativa de Geraldo Alckmin de desconstruí-lo para herdar parte de seus votos.

Os rivais de Bolsonaro esperavam que os debates pudessem servir para expor fragilidades do deputado – nos dois primeiros eventos, o desempenho do parlamentar não foi de fato bom, mas, ainda no início da campanha, os programas foram jogados mais na retranca do que no ataque.

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A menos de um mês da eleição, o programa de hoje exigia postura mais ofensiva – mas, sem Bolsonaro no púlpito, ficou impossível deflagrar a estratégia de maneira direta.

Isso não impediu, no entanto, que o começo do programa expusesse uma disputa pelo discurso da pacificação, na esteira do atentado na semana passada. A decisão da organização, de mencionar o ataque no início do programa e prestar solidariedade ao candidato, contribuiu para isso também.

O momento, no entanto, durou pouco – apenas parte do bloco inicial e das considerações finais. Por ter sido escolhido para responder a primeira pergunta sobre o tema, Alckmin conseguiu marcar posição e condenar o extremismo sem parecer aproveitador. Assim como Marina, mencionou a pacificação também no encerramento. E usou o mote de que o próximo presidente não pode ser mais um problema para o país.

Dado o risco de escorregões e o desempenho de Bolsonaro nos encontros anteriores, sua ausência somada à lembrança e solidariedade da emissora e dos rivais não foi de todo o mal para o deputado.

Vencido esse ponto, sobrou a disputa da segunda questão da reta final de campanha: quem herdará os votos de Lula? Mais um ponto em que o protagonista estava ausente, já que Fernando Haddad não foi convidado por ainda não ter sido oficializado candidato.

Marina Silva e Ciro Gomes – os dois que rivalizam com Haddad na disputa pelo espólio lulista – foram confrontados em momentos diferentes sobre a prisão de Lula. Ciro, com um eleitorado alvo mais definido, pôde ser mais direto: “A sentença que condenou Lula é injusta”. Marina, questionada diretamente sobre o tema, sintetizou as contradições dos dois públicos que tenta alcançar ao não defender nem condenar o ex-presidente – a contradição só não ficou mais explícita porque Alvaro Dias preferiu não apontá-la na réplica.

Sem os protagonistas no palco, a disputa apenas indireta deixou o encontro mais na retranca e menos ofensivo do que se esperaria para essa fase da disputa.

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