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SÃO PAULO – Apesar de ainda estar bem atrás das taxas registradas nos EUA, o número de divórcios no Japão vem crescendo rapidamente e já se aproxima da média da Europa. A tendência vem preocupando as autoridades japonesas, pois têm reflexos não apenas no crescimento da população, mas também na concessão de benefícios durante a aposentadoria.
Desenvolvido com base nos preceitos da sociedade japonesa antes da segunda guerra mundial, o sistema previdenciário japonês não está preparado para as mudanças que vem ocorrendo no Japão.
Abandono do modelo antigo
As mulheres japonesas cada vez mais se distanciam do modelo pré-guerra no qual os maridos trabalhavam e elas ficavam em casa cuidando da família. Não só uma parcela significativa das mulheres vem optando por não se casar, também é crescente o número de divórcios, o que se reflete na queda dos nascimentos.
A queda nos nascimento preocupa, pois deve refletir na recomposição da mão de obra no mercado de trabalho o que pode ter efeitos negativos na competitividade da economia japonesa, que poderia perder sua supremacia na Ásia.
Não bastasse isso, a situação para as mulheres que optam pela separação após ter filhos é difícil no Japão. Sem apoio dos ex-maridos, a maioria retorna ao mercado de trabalho, e apesar de contar com apoio financeiro do governo no início, vem esse apoio cair a medida que sua remuneração aumenta.
Famílias chefiadas por mulheres cresce
Na prática, apesar do aumento salarial, no total acabam não progredindo financeiramente. Junte-se a isso ao fato de que o sistema previdenciário do Japão, que foi construído para dar apoio às viúvas e aos idosos, não estar preparado para arcar com o pagamento dos benefícios de aposentadoria de um número crescente de famílias chefiadas por mulheres separadas.
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O próprio Ministério da Saúde do Japão estima que o país tenha 1,22 milhão de famílias chefiadas por mulheres sozinhas, 28% a mais do que o registrado em 1998. Desse total, mais de 80% são chefiadas por mulheres divorciadas, ao invés de viúvas ou mães solteiras. Os números seriam resultado, segundo o governo japonês, do aumento de 48% na taxa de divórcio do país entre os anos de 1993 e 2003.
A resposta do governo japonês a essa realidade tem sido muito criticada, pois se deu na forma de redução dos benefícios pagos às mulheres divorciadas e aumento dos benefícios para aqueles que têm filhos, reforçando um modelo familiar antigo. Com um endividamento de 151% do PIB, o Japão enfrenta dificuldades para manter os antigos benefícios e equilibrar suas contas públicas.