Sem impeachment

“Aturar esse governo é um processo didático e fundamental”, afirma Delfim Netto

Para o ex-ministro, impeachment nas atuais condições seria "tapetão" e afirmou que está otimista com o País: "o Brasil não é um fracasso"

SÃO PAULO – Em evento realizado pela Carta Capital na manhã desta segunda-feira (26), o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto afirmou que, na situação atual, por conta das pedaladas fiscais, não há motivo para pedir o impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff. “Sempre houve pedaladas fiscais. Se houver [impeachment por isso] agora, será no tapetão”, afirmou. Para ele, se houver desvio de conduta, seria considerado normal o impeachment. 

“De fato, o impeachment é uma instituição democrática. Mas da forma como está sendo cobrado não é. As pedaladas existiram. Mas é preciso respeitar a Constituição. Ela é educativa. O Brasil não é uma pastelaria, é uma sociedade com instituições sólidas”, afirmou.

E agora, para ele, “aturar esse governo é um processo didático e fundamental”. Segundo o ex-ministro, que fez também muitas críticas ao governo federal, é preciso entender o que aconteceu. “A presidente se perdeu, em um momento que tinha 92% de aprovação da sociedade brasileira, no ano de 2012. Nós terminamos 2011 com crescimento de 3,9%, superávit primário de 2,9%, e a relação entre dívida e PIB também estava caindo”, afirmou. 

PUBLICIDADE

Contudo, ele destacou que a presidente se “empoderou” com a aprovação alta e, ao invés de manter o que estava fazendo, passou a fazer mais intervenções. Mas fez uma ressalva: “ela errou, mas não errou sozinha”.

Ao falar sobre o ajuste fiscal, o ex-ministro destacou que “não há equilíbrio fiscal sem a esperança de crescimento”. “Dilma, vá ao Congresso e apresente quatro ou cinco projetos, fixe um limite superior para a aposentadoria, acabe com as vinculações ao salário mínimo”, pediu à presidente. Ele ainda afirmou que Dilma precisa voltar a assumir o protagonismo para que voltemos ao crescimento. 

Delfim afirmou que mantém-se otimista: “o Brasil não é um fracasso”. Para ele, atualmente, nós estamos “num ponto de inflexão na história deste País” e afirmou que a Operação Lava Jato vai mudar muita coisa, principalmente com relação ao setor privado, “que aprendeu que existe algo chamado ‘compliance’. Nós estamos avançando, a despeito de todas as dificuldades”.

Dilma completa 1 ano de mandato: como foi o desempenho de Bolsa dólar e mais 36 ativos? Deixe o email abaixo e confira: