AtlasIntel sugere que a desenho eleitoral Lula x Bolsonaro continua moldando 2026

Simulação idêntica à eleição passada mostra diferença de 1,5 ponto e indica consolidação dos polos

Marina Verenicz

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A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (25) testou um cenário idêntico ao segundo turno de 2022, perguntando aos eleitores em quem votariam caso os candidatos fossem os mesmos daquela disputa. O resultado indica que a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro permanece praticamente intacta.

Na rodada atual, Lula registra 44,9% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro soma 43,4%. A diferença é de 1,5 ponto percentual, dentro da margem de erro.

O dado mostra encurtamento relevante em relação a setembro, quando Lula tinha 48,8% e Bolsonaro 41,3%. Naquele momento, o ex-presidente havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Mesmo após a decisão e com Bolsonaro condenado e inelegível, as rodadas seguintes da pesquisa registraram redução gradual da diferença entre os dois. Desde então, Lula recuou 3,9 pontos, e Bolsonaro avançou 2,1 pontos, estreitando a polarização nos meses posteriores à condenação.

Comparado ao resultado oficial de 2022, quando Lula venceu o segundo turno com pouco mais de 50% dos votos válidos contra cerca de 49% de Bolsonaro, o novo levantamento indica perda de intensidade na vantagem do petista e recomposição do eleitorado bolsonarista na simulação estimulada.

Os dados indicam que Lula mantém base sólida no Nordeste, entre mulheres, católicos, eleitores sem religião e na renda mais alta. Bolsonaro concentra vantagem entre homens, evangélicos e no Centro-Oeste, além de apresentar competitividade crescente nas faixas intermediárias de renda.

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A redução da diferença geral entre os dois ocorre em um cenário em que cada polo preserva seus redutos tradicionais. A disputa tende a depender da capacidade de ampliar apoio nas faixas onde o adversário hoje lidera ou reduzir a margem de desvantagem nos segmentos mais resistentes.

O percentual reduzido de indecisos, somado ao baixo índice de brancos e nulos, indica que a maior parte do eleitorado já se posiciona dentro de um dos dois campos. O cenário sugere consolidação do voto ideológico e manutenção da lógica binária que marcou a eleição passada.

Mesmo com Bolsonaro preso, a simulação revela que a identidade política associada a seu campo permanece competitiva. O teste funciona como termômetro da força estrutural do bolsonarismo e da capacidade de mobilização de seus eleitores.

A redução da diferença entre os dois polos altera o equilíbrio observado logo após a condenação no Supremo Tribunal Federal e indica que o ambiente eleitoral continua aberto. A fotografia atual aponta que, se o embate de 2022 fosse repetido hoje, a disputa seria novamente decidida por margem estreita.

A pesquisa foi realizada entre os dias 19 e 24 de fevereiro e entrevistou 4.986 eleitores em todo o Brasil. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos e a confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o nº BR-07600/2026.