AtlasIntel: Para onde foram os votos de Caiado, Renan, Zema e Cury no 2º turno?

AtlasIntel mostra Flávio com vantagem entre eleitores de Caiado e de candidaturas menores, enquanto Lula recebe parcela maior dos votos de Cury

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A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno passa, em boa medida, pela redistribuição dos votos que ficaram com outros candidatos em 4 de outubro. A nova rodada da AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta segunda-feira (19), ajuda a mostrar como parte desse eleitorado está se reorganizando.

O movimento mais favorável a Flávio aparece entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD). Segundo a pesquisa, 69,8% dos que votaram no governador de Goiás no primeiro turno dizem agora escolher o candidato do PL. Outros 24,5% migram para Lula, enquanto 5,7% permanecem entre branco, nulo ou sem resposta.

Entre os eleitores de Augusto Cury (Avante), ocorre o movimento inverso. Lula recebe 52,1% desse grupo, ante 42,4% que optam por Flávio. Outros 5,6% não escolhem nenhum dos dois.

O eleitorado de Renan Santos (Missão) é o mais fragmentado. Flávio tem 33,5% entre seus antigos eleitores e Lula, 31,9%. Outros 34,6% seguem entre branco, nulo ou indecisos.

O desenho é diferente daquele captado pela primeira AtlasIntel depois do primeiro turno. Na rodada encerrada em 8 de outubro, Flávio recebia 54,9% dos votos de Caiado, ante 26,9% de Lula. Entre os eleitores de Renan, eram 40,3% para Flávio e 28,1% para Lula. Já Cury tinha um eleitorado mais inclinado ao presidente: 50,4% declaravam voto em Lula e 38,9% em Flávio.

Isso significa que, na comparação entre as duas rodadas, Flávio ampliou numericamente sua participação entre os eleitores de Caiado, enquanto Lula manteve vantagem entre os de Cury. O grupo de Renan, por sua vez, passou a apresentar parcela ainda maior sem definição entre os dois finalistas.

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E os votos de Zema?

Os novos dados divulgados pela AtlasIntel não apresenta Romeu Zema (Novo) isoladamente. Os eleitores de candidatos que não aparecem individualizados foram agrupados na categoria “outros”.

Nesse grupo, Flávio recebe 61,3% dos votos, Lula, 30,7%, e 8% permanecem entre branco, nulo ou sem resposta.

Por isso, o levantamento não permite afirmar qual é, especificamente, a migração dos eleitores de Zema nesta rodada. O ex-governador está inserido em um agrupamento que reúne outras candidaturas. Na primeira pesquisa do segundo turno, Caiado, Cury e Zema já haviam declarado apoio a Flávio, enquanto Renan Santos mantinha posição de neutralidade.

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Quem não votou também entra na disputa

A pesquisa mostra ainda que a redistribuição dos votos dos candidatos derrotados é apenas uma parte da equação. Entre os eleitores que não compareceram ao primeiro turno, Lula aparece com 55,7% e Flávio, com 40,2%. Outros 4,2% continuam sem escolher um dos dois.

Já entre quem votou branco ou nulo em 4 de outubro, 38,7% declaram voto em Flávio e 21,1%, em Lula. Outros 40,2% dizem que continuarão fora das duas candidaturas.

Esse recorte ajuda a explicar por que as duas campanhas adotaram estratégias diferentes na reta final. Flávio encontra percentuais elevados entre parte do eleitorado das candidaturas eliminadas, especialmente Caiado e o conjunto de “outros”. Lula, além de captar mais votos de Cury, registra percentual maior entre aqueles que não foram às urnas no primeiro turno.

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A importância desse último grupo, porém, depende de comparecimento. A intenção declarada por quem se absteve em 4 de outubro só se transforma em voto se esse eleitor efetivamente for às urnas no segundo turno.

O padrão também apareceu na Quaest divulgada na semana anterior. O instituto encontrou Lula numericamente à frente entre quem havia votado em branco, nulo ou se abstido, enquanto Flávio recebia parcelas maiores dos eleitores de Caiado e Renan.

A nova AtlasIntel mostra Flávio com 49,8% das intenções de voto no segundo turno, contra 47,6% de Lula. Na rodada anterior, eram 51,1% a 45,7%, respectivamente. O levantamento foi realizado entre 13 e 18 de outubro, com 4.998 entrevistados e margem de erro de um ponto percentual. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-02418/2026.

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Marina Verenicz
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