AtlasIntel mostra força regional de Lula e limites da direita fora do bolsonarismo

Pesquisa detalha desempenho por região, renda, escolaridade e religião e expõe gargalos eleitorais de Flávio e Tarcísio

Marina Verenicz

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fala durante a 14ª Conferência Nacional de Assistência Social em Brasília, Brasil, em 8 de dezembro de 2025. REUTERS/Adriano Machado TPX IMAGENS DO DIA
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fala durante a 14ª Conferência Nacional de Assistência Social em Brasília, Brasil, em 8 de dezembro de 2025. REUTERS/Adriano Machado TPX IMAGENS DO DIA

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Os recortes demográficos e regionais da mais recente pesquisa AtlasIntel Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (21) ajudam a explicar por que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém liderança consistente nos cenários de 2026, mesmo diante da reorganização da direita.

Os dados indicam que a vantagem do petista não se apoia apenas no agregado nacional, mas em uma distribuição mais homogênea de votos, enquanto seus principais adversários enfrentam dificuldades de expansão fora de nichos específicos.

No recorte regional, Lula sustenta desempenho elevado no Nordeste e mantém vantagem relevante no Sudeste, inclusive nos cenários em que a direita aparece fragmentada. Já o senador Flávio Bolsonaro só se aproxima do presidente em segmentos pontuais.

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Seu melhor resultado aparece no Norte, entre eleitores de 35 a 44 anos, onde há empate técnico: Lula registra 34% das intenções de voto, contra 32,7% de Flávio. Fora desse recorte, o senador perde fôlego, enquanto o governador Tarcísio de Freitas não lidera em nenhuma região quando aparece simultaneamente com Flávio.

O recorte religioso é um dos poucos em que Flávio abre vantagem expressiva. Entre evangélicos, o senador soma 43,3% das intenções de voto, contra 24,8% de Lula. Ainda assim, esse desempenho não se traduz em liderança nacional nem em capacidade de unificação do campo conservador, já que o apoio institucional de grandes lideranças evangélicas permanece difuso e sem endossos públicos claros.

Na escolaridade, a disputa se mostra mais equilibrada nos estratos mais baixos. Flávio supera Lula entre eleitores com até o ensino médio, com 37,2% das intenções de voto, ante 35,8% do presidente. Entre eleitores com ensino superior, porém, Lula mantém vantagem consistente, ampliando sua liderança no agregado nacional e reduzindo o potencial de crescimento do senador.

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O recorte de renda reforça esse padrão. Flávio apresenta melhor desempenho entre eleitores que ganham entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, mas segue atrás de Lula mesmo nesse grupo. O presidente registra 43,5% das intenções de voto, contra 35,8% do senador. Nas faixas de renda mais baixas, a vantagem de Lula é ainda mais ampla, enquanto nas rendas mais altas nenhum nome da direita consegue se consolidar de forma dominante.

Entre os eleitores que afirmam ter votado em Jair Bolsonaro em 2022, a pesquisa explicita o desequilíbrio interno da direita. Nesse grupo, 59,2% dizem que votariam em Flávio Bolsonaro em 2026, enquanto apenas 21,1% migrariam para Tarcísio em um cenário de divisão. O dado ajuda a entender por que o governador perde tração nas pesquisas sempre que Flávio entra na disputa, apesar de manter apoio relevante entre setores empresariais e do centro político.

Os recortes indicam que a dificuldade da direita vai além da escolha de um nome. Flávio concentra a herança bolsonarista, mas encontra limites para expandir sua base fora desse núcleo. Tarcísio é visto como alternativa mais palatável por segmentos econômicos e institucionais, mas não consegue capturar o eleitor fiel a Bolsonaro. Lula, por sua vez, se beneficia diretamente dessa fragmentação ao manter vantagem transversal em renda, escolaridade e regiões-chave do país.

A pesquisa AtlasIntel ouviu 5.418 eleitores entre os dias 15 e 20 de janeiro, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-02804/2026.