Eleições

Ascensão de João Doria em São Paulo é um caso emblemático para as eleições de 2018, diz Eurasia

Subida do candidato tucano, que se mostra um outsider da política, dá sinais de que a população está em busca de um novo perfil de político - já PT sofrerá um forte baque nas eleições deste ano

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SÃO PAULO – Os analistas políticos costumam exagerar a visão sobre o que as eleições municipais significam para os pleitos nacionais dois anos depois. Contudo, especificamente em 2016, as eleições que acontecerão neste domingo nos municípios trarão algumas lições e sinais que indicam o que ocorrerá em 2018, segundo a visão do chefe de pesquisa para mercados emergentes da Eurasia, Christopher Garman. 

Em evento realizado nesta sexta-feira (30) em São Paulo pela Exame, o analista político apontou que o PT terá um revés muito grande e sairá menor do pleito deste ano, ao mesmo tempo em que o cenário indica uma forte fragmentação partidária. Dessa forma, os partidos do chamado “centrão” ganham espaço nas prefeituras dos municípios, em detrimento de partidos históricos como PT, PSDB e PMDB. 

Garman aponta que estamos vivendo o fim do superciclo político dos mercados emergentes, ressaltando que não somente o Brasil, como diversos países da América Latina como o Chile, México e Uruguai veem os seus principais líderes com baixíssimas taxas de aprovação após registrarem um período de alta popularidade. O analista compara a situação da região com a da Ásia, onde a classe média ainda é pequena, relacionando o tamanho da classe que ascendeu fortemente nos últimos anos com a popularidade dos seus governantes. 

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Neste contexto se insere o Brasil, em que houve uma grande ascensão da classe média. Agora, além de maior consumo, a população tem novas demandas como melhores serviços de saúde e educação, algo bastante desafiador para os governantes ainda mais levando em conta o cenário econômico complicado que o País se encontra. Ao mesmo tendo, em meio ao escândalo de corrupção da Operação Lava Jato que afetou diversos políticos, a população busca por renovação da classe política. “O caso em São Paulo é emblemático deste novo perfil”, diz Garman, citando o caso do candidato tucano João Doria (PSDB), que lidera as pesquisas para o primeiro turno e é um outsider, sempre destacando que não é um político e sim um gestor. 

Previsões para 2018
Desta forma, para 2018, já é possível fazer algumas previsões sobre como será o cenário, mas é ainda complicado apontar quem seria o vencedor. O analista político ainda apontou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de estar na liderança das intenções de voto nas últimas pesquisas se opinião para a presidência, dificilmente terá uma candidatura competitiva. Isso levando em consideração que ele será elegível naquele ano, uma vez que pesam contra ele acusações na Lava Jato; se condenado em segunda instância, o ex-presidente seria ficha-suja e não poderia participar do próximo pleito presidencial. Para Garman, hoje, a rejeição da população contra Lula é ainda maior e mais profunda do que existe nos principais pleitos presidenciais que o petista participou e perdeu, em 1989, 1994 e 1998. Além disso, o analista avalia ser bastante complicado que a população volte a votar no candidato do partido cujo governo enfrentou uma grave crise econômica e política. 

“Talvez o PT nem tenha candidato e apoie Ciro Gomes, em um movimento de união de toda a esquerda”, ressalta Garman; contudo, ele também vê poucas chances de Gomes se eleger, ainda mais levando em conta o seu perfil “belicoso”, que pode prejudicá-lo. Já o presidente Michel Temer enfrenta uma posição bastante complicada para fazer o seu sucessor, enquanto os partidos de centrão ainda enfrentam uma incógnita sobre os candidatos. 

Apesar de algumas dúvidas, Garman aponta alguns nomes de candidatos. Do PSDB, há três nomes na disputa: o ministro das relações exteriores José Serra (SP), o governador Geraldo Alckmin (SP) e o senador Aécio Neves (MG). Provavelmente, dois deles serão candidatos: o analista avalia que Alckmin está mais forte no momento na disputa, enquanto outro tucano, certamente Serra, irá para outro partido disputar o pleito. O DEM também deve entrar na disputa com o nome do líder do partido no Senado, Ronaldo Caiado (GO), enquanto o PMDB também terá um candidato. 

Sobre Marina Silva, da Rede, que busca encampar a imagem de uma “não-política” e também aparece nos primeiros lugares das pesquisas de opinião, Garman avalia que ela tinha mais chances em um cenário de eleição antecipada se o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cassasse a chapa Dilma-Temer. Contudo, o cenário não se repete em 2018 por dois motivos: tempo na televisão pequeno e poucos recursos do fundo partidário. 

“A dúvida que eu tenho é menos sobre candidatos, mas se daqui a um ano se, dado o quadro de renovação e desejo da classe média, terá um novo nome como Doria no plano nacional, vindo do Judiciário ou do empresariado. Existe um desejo da renovação da classe política, que busca mudança, mas não é populismo tradicional, e sim com credibilidade para atacar as deficiências do sistema atual”, aponta ele.