Análise da Eurasia

As três alianças que podem mudar o rumo da eleição presidencial – e uma que não deve alterar o jogo para 2018

Elas são vistas como improváveis mas, caso se concretizem, podem levar a grandes desdobramentos para o pleito de 2018

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SÃO PAULO – Os próximos meses prometem ser intensa negociação para a formação de alianças eleitorais. De acordo com a consultoria de risco político Eurasia Group, algumas alianças que podem ser formadas para o pleito presidencial (ainda que algumas sejam improváveis) têm potencial de mexer e muito com a política. Por outro lado, há uma com pouco potencial de “mudar o jogo” nas eleições.  

As três alianças são as seguintes: entre o PT e Ciro Gomes (PDT), uma combinação entre Marina Silva e Joaquim Barbosa e, por último, entre Geraldo Alckmin (PSDB) e Álvaro Dias (PODE). Já uma aliança que, apesar de ser vista com um grande potencial à primeira vista, não deve fazer tanta diferença na dinâmica das eleições é entre PSDB e MDB. 

“De todas as alianças, ainda que improvável, uma aliança entre Barbosa e Marina é a mais plausível entre as três [com potencial de movimentar as eleições]”, segundo a consultoria. 

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Veja abaixo as alianças que podem surgir (e movimentar o cenário eleitoral). 

1. A aliança da esquerda: PT e Ciro Gomes

 

A esquerda está em desordem desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi preso, há cerca de um mês. Com Lula na prisão, o PT se tornou mais preocupado com a competitividade do partido e, como tal, uma potencial aliança na esquerda cresceu. O ingresso ideal imaginado por alguns da esquerda seria o PT unindo forças com Ciro Gomes. Os rumores aumentaram com uma reunião entre o pedetista e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, e depois que o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, sugeriu que a opção do PT ser vice na chapa não poder ser descartada.

Para a Eurasia, essa aliança continua sendo improvável, com a cúpula do PT ainda acreditando que qualquer candidato do partido pode conseguir pelo menos 15% dos votos e garantir um lugar no segundo turno por causa da influência de Lula.

“Somos mais céticos, mas a aposta deles não é sem fundamento. Líderes do partido apontam para o fato de que 19% dos eleitores se identificam com o PT, então eles veem maior potencial eleitoral do que em apoiar Ciro, que tem cerca de 8% de votos”, ressaltam os analistas da Eurasia. A aposta da consultoria é que um candidato do PT se sairá pior do que o esperado pela legenda, ficando mais perto de 10% de apoio.

“Mas o ponto a chamar a atenção é que a liderança do PT não está perto de jogar a toalha e apoiar a oferta de Gomes. O PT também vê a possibilidade de ter um candidato como meio de manter os correligionários mobilizados, o que, por sua vez, ajudará a eleger o maior número possível de parlamentares”, apontam. Outra questão é que a relação entre Ciro e o PT não está nos melhores dias, depois que o pedetista criticou o partido durante o escândalo da Lava Jato. “Podemos estar errados, mas todos os itens acima sugerem que a esquerda provavelmente manterá seu voto dividido entre um candidato do PT e Gomes”, avaliam.

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2. Geraldo Alckmin (PSDB) e Álvaro Dias (PODE)

 

Alckmin ainda patina nas pesquisas, o que amplia a tensão no PSDB, que está ciente de que parte do problema do ex-governador paulista é de que há muitos candidatos corroendo a base tradicional do partido. Isso está acontecendo não só em São Paulo, onde Jair Bolsonaro (PSL) está empatado com Alckmin em seu estado natal, mas também no Sul, onde Alckmin concorre com o senador Álvaro Dias, representante do Podemos.

Dias, ex-governador do Paraná, deixou o PSDB em 2015 com o objetivo de concorrer à presidência com uma plataforma anticorrupção e tem um bom percentual de intenção de votos em seu estado de origem.

A maior participação dos votos do PSDB na corrida presidencial vem tradicionalmente dos estados do sul – Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Como tal, a liderança do PSDB vê corretamente a posição de 5% de Álvaro Dias na pesquisa do Datafolha como se estivesse consumindo os eleitores potenciais de Alckmin, e alguns no PSDB gostariam de unir forças com Dias, destaca a Eurasia.

“Mas isso é muito improvável. Dias deixou o PSDB com uma plataforma de maior moralidade na política e apoio à Lava Jato. Dias também está no meio do seu mandato no Senado, o que significa que, se ele perder a eleição, ele ainda tem um mandato. Ele não tem nada a perder se concorrer. Além disso, seu novo partido tem o potencial de eleger uma boa bancada, particularmente agora com o senador Romário  e concorrendo a governador no Rio de Janeiro. Uma aliança do PSDB com Dias aumentaria as chances de Alckmin chegar a um segundo turno, mas não apostaríamos nisso”, aponta a consultoria.

3. Joaquim Barbosa (PSB) com Marina Silva (REDE)

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A terceira aliança que poderia abalar a eleição é entre Joaquim Barbosa e  Marina Silva, da Rede Sustentabilidade (REDE). Para a Eurasia, esta aliança é improvável mas, das três, é a mais plausível.

Marina está em segundo lugar na pesquisa Datafolha, atrás de Bolsonaro (em um cenário sem Lula), mas seu partido enfrenta dificuldades.

Ela tem apenas três nomes no Congresso, o que significa que nem sequer teria o direito de participar de debates presidenciais. Além disso, a Eurasia acredita que a ex-senadora só teve um desempenho relativamente bom nas pesquisas por ser conhecida nacionalmente em um contexto em que os eleitores “órfãos” de Lula estão procurando alguém para apoiar.

“Se Barbosa subir nas pesquisas nos próximos meses, e Marina cair por causa disso, ela pode considerar ser vice na chapa liderada por Barbosa. Caso isso aconteça, a candidatura de Barbosa ganharia um impulso importante”, apontam os analistas.

De qualquer forma, o partido de  Marina está focado em torná-la uma candidata viável, e sua candidatura pode ajudar a impulsionar seu partido no Congresso. Além disso, apontam os analistas, Marina deixou o PSB (partido de Barbosa) em condições ruins, o que significa que o grupo resistiria a vê-la como vice-presidente mais uma vez. “E finalmente, se Barbosa subir nas pesquisas como esperamos, o PSB pode argumentar que não precisa de Marina. Tudo isso faz essa aliança improvável”, avalia a consultoria. 

A aliança que não vai mudar o jogo: Alckmin (PSDB) e o MDB

 

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Por fim, a Eurasia aponta uma aliança que não mudará o jogo das eleições, mesmo que aconteça: Alckmin com o MDB do presidente Michel Temer.

Temer anunciou que iria concorrer à reeleição, mas com índices de aprovação abaixo de 10%, ele provavelmente não vai, aponta a Eurasia. O ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, é supostamente o plano B do partido, mas também não está mostrando sinais de crescimento nas pesquisas. Como tal, Temer começou a fazer sinais para Alckmin, sugerindo que o partido poderia unir forças com o PSDB em uma tentativa centrista unificada, talvez com Meirelles como vice-presidente de Alckmin.

“Achamos que tal aliança é improvável mas, mesmo que isso aconteça, não ajudará muito Alckmin. Ele já tem enormes vantagens de tempo e dinheiro na TV, que é o principal benefício que uma aliança do MDB traria. Em uma base relativa, isso não ajudará muito, ao mesmo tempo em que a aliança também pode trazer um risco: a de ser visto como um sucessor do governo de Temer”, apontam.

Para a Eurasia, é muito mais promissor para o PSDB negociar um candidato a vice-presidente do DEM do Nordeste, o que poderia trazer mais vigor em uma região onde Alckmin não tem muito apelo. 

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