Visita polêmica

As reações dos senadores brasileiros ao cerco na Venezuela em seis “posts” no Facebook

A comitiva foi recebida por esposas de presos políticos e ao chegar perto do presídio onde está preso o ex-líder do partido Vontade Popular, Leopoldo Lopez, encontraram as vias bloqueadas por manifestantes favoráveis ao governo de Maduro

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SÃO PAULO – Chegou hoje na Venezuela uma comitiva de senadores brasileiros que foram pressionar o presidente Nicolás Maduro a libertar presos políticos e marcar as eleições parlamentares.

A comitiva foi recebida por esposas de presos políticos e ao chegar perto do presídio onde está preso o ex-líder do partido Vontade Popular, Leopoldo Lopez, que foi preso por ser contra o governo, assim como o ex-prefeito de San Cristobal, Daniel Ceballos, e o ex-prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, encontraram as vias bloqueadas por manifestantes favoráveis ao governo de Maduro. Além do bloqueio, o micro-ônibus em que se encontravam os parlamentares foi apedrejado.

Além do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) e de José Agripino (DEM-RN), integram a comitiva os senadores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Aécio Neves (PSDB-MG), Ricardo Ferraço (PMDB-ES), Sérgio Petecão (PSD-AC), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e José Medeiros (PPS-MT). Alguns deles chegaram a se manifestar pelo Facebook sobre a visita. Leia abaixo:

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“Não conseguimos sair do aeroporto. Sitiaram o nosso ônibus, bateram, tentaram quebrá-lo. Estou tentando contato com o presidente Renan. Filmei o apedrejamento que fizeram contra nosso ônibus, mas o sinal de internet é ruim. O embaixador do Brasil na Venezuela nos recebeu no aeroporto e foi embora. Agora estamos sendo agredidos e não tem representante do governo”, Ronaldo Caiado (DEM-GO)

“Infelizmente, fomos impedidos de cumprir a nossa agenda, de chegar ao nosso destino, mas, do ponto de vista político, compreendemos que a solidariedade dos democratas do mundo se faz ainda mais necessária, porque é com resistência, como a de Leopoldo, como de María Corina e de tantos outros democratas, que vamos permitir que Venezuela e Brasil se encontrem em um futuro de paz, de desenvolvimento econômico e social, tendo como pilar fundamental o respeito à democracia, o respeito à liberdade”. Aécio Neves (PSDB-MG)

“Estamos bem! Mas não conseguimos avançar mais do que 2 km da aeroporto. As estradas todas bloqueadas. Nossa van foi cercada por militantes da ditadura e nos hostilizaram. Clima tenso. Porém estamos em segurança. O embaixador do Brasil ‘fugiu’. Nos deixou na mão.” Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

“No caminho para o aeroporto, fomos surpreendidos com a informação que o terminal foi FECHADO. Estamos na van completamente SITIADOS esperando alguma posição do governo venezuelano. Já são 4h de agressão ao Congresso Brasileiro.” Ricardo Ferraço (PMDB-ES)

Tentaremos cumprir nossa missão. Caso não seja possível, voltaremos a Brasília e continuaremos a pressionar o governo Dilma Rousseff para que endureça o tom em relação à postura venezuelana”. Aloysio Nunes (PSDB-SP)

“Onde existe preso político não existe Democracia. A ditadura na Venezuela é um fato. Nós estamos cumprindo missão humanitária e democrática. O embaixador do Brasil na Venezuela nos recebeu no aeroporto e depois foi embora. Não há representante do governo brasileiro conosco.” Agripino Maia (DEM-RN)

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Na página do PSDB
O Líder do partido na Câmara, Carlos Sampaio (SP), classificou como gravíssimas as agressões sofridas nesta quinta-feira em Caracas pelos senadores brasileiros em visita de solidariedade aos líderes políticos mantidos presos pelo governo Nicolás Maduro e exige manifestação de repúdio imediata e contundente por parte do Itamaraty. 

Opinião de outros parlamentares
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) lamentou a situação dos senadores brasileiros na Venezuela, que tiveram o ônibus bloqueado por manifestantes favoráveis ao governo do presidente Nicolás Maduro. “O que ocorre na Venezuela é um atentado ao Congresso Brasileiro e à democracia. Há que se exigir do governo do nosso país uma pronta intervenção. Extrapolaram os limites do bom senso ao interferirem em uma caminhada pacifica de parlamentares brasileiros.” disse.

O presidente Renan Calheiros também defendeu os senadores em nota oficial: O Presidente do Congresso Nacional repudia e abomina os acontecimentos narrados e vai cobrar uma reação altiva do governo brasileiro quanto aos gestos de intolerância narrados. 

As democracias verdadeiras não admitem conviver com manifestações incivilizadas e medievais. Eles precisam ser combatidos energicamente para que não se reproduzam.”