História dos debates

As brigas que entraram para a história dos debates eleitorais no Brasil

Paulo Maluf foi responsável por boa parte da lista dos momentos memoráveis dos debates, que também conta com ex-presidentes como Fernando Collor 

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SÃO PAULO – O debate morno da TV Bandeirantes da última quinta-feira (9) – com os candidatos falando pouco sobre propostas, mas também trocando poucas farpas -, fez com que muitos telespectadores ficassem saudosistas sobre os grandes embates eleitorais, com grandes trocas de acusações e discussões acaloradas. 

Se na última quinta-feira, o até então desconhecido Cabo Daciolo (PATRI) foi quem mais roubou a cena com declarações polêmicas, em debates anteriores candidatos mais conhecidos e emblemáticos chamaram a atenção com as suas discussões. 

Com base nisso, o InfoMoney fez uma compilação dos melhores momentos dos embates entre candidatos – não só a presidência, mas também postulantes a cargos na prefeitura e governo. Confira abaixo alguns desses momentos:

Montoro x Jânio (1982)

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Muitos podem nem sequer lembrar quem foi eleito governador em São Paulo em 1982 – mas o debate para o governo ficará marcado, principalmente para os telespectadores mais experientes em acompanhar os debates. 

Para provocar Jânio, Montoro usou uma frase do desafeto do ex-presidente e a réplica fez com que a plateia gargalhasse: “o senhor acaba de querer citar as Escrituras valendo-se de Asmodeu ou de Satanás”.

Debates protagonizados por Paulo Maluf

A despeito de todo o histórico condenável, a saga de debates no Brasil ficaria bem mais bem pobre sem um personagem: Paulo Maluf, que já protagonizou momentos memoráveis tanto em debates presidenciais quanto estaduais e municipais. Abaixo, destacamos alguns desses instantes.

Brizola X Maluf (1989)

Um dos momentos mais memoráveis dos debates ocorreu em 1989 na disputa presidencial entre Leonel Brizola e Paulo Maluf. Maluf acusou Brizola de desequilibrado e que o pedetista não poderia ser candidato a presidente, o que foi o pontapé inicial para uma troca de farpas. 

“Desequilibrado! Passou 15 anos no estrangeiro e não aprendeu nada. E, o pior, não esqueceu nada!” disse Maluf, levando a plateia aos risos. Brizola acusou então os presentes de serem “filhotes da ditadura” e “malufistas”, gerando confusão e obrigando a mediadora, Marília Gabriela, a pedir por intervalo. 

No mesmo debate, outros confrontos ocorreram como o de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Roberto Caiado (PSD), que dizia que a candidatura do petista estava impugnada pela Justiça. “A sua já foi impugnada pelo povo”, respondeu Lula.

Maluf X Covas (1998)

A eleição para o governo de São Paulo de 1998 foi notória pelos embates entre Mário Covas e Maluf, principalmente no segundo turno. Covas, que era candidato à reeleição pelo PSDB, ficou em segundo lugar no primeiro turno e quase não disputou o segundo, estando bem atrás do seu adversário. Para reverter o quadro, o tucano partiu para o ataque e, logo no primeiro debate, pediu que o eleitor comparasse a história e o caráter dos candidatos. 

Covas também relembrou acusações bem sérias, como a do “amigo” ACM Neto,  que tinha chmado Maluf de corrupto, disse que tinha 12 quilos de processos contra ele e afirmou que o ex-prefeito carregava o estigma de repulsa da sociedade. No fim da história, o tucano se deu melhor na disputa com Maluf: Covas foi reeleito com quase 10 milhões de votos. 

Maluf X Marta (2000) 

 Maluf também se excedeu no debate para a disputa da prefeitura de São Paulo em 2000, tendo como “oponente” Marta Suplicy, então no PT. O deputado pediu que Marta “ficasse quietinha” e logo ela rebateu. “Cala a boca, Maluf!” No final das contas, Marta foi eleita prefeita de São Paulo, ganhando no segundo turno justamente de Paulo Maluf. 

Enéas X Collor (2000)

O debate municipal de 2000, além do embate entre Maluf e Marta destacado acima, também foi marcado por rusgas entre Fernando Collor e Enéas Carneiro, duas figuras conhecidas do debate presidencial. O ex-presidente debochou do adversário, não fez pergunta e disse para que Enéas falasse o que quisesse. O candidato do PRONA, então, teceu críticas duras a Collor, que não quis rebater e pediu a Enéas que prosseguisse com os comentários. 

Aécio Neves X Luciana Genro (2014)

Os embates entre Aécio Neves e Luciana Genro foram alguns dos mais calorosos da disputa presidencial de 2014. Em um debate realizado pela CNBB, ao ser questionada pelo tucano sobre educação, a então candidata pelo Psol lembrou denúncias de corrupção envolvendo o PSDB. “O senhor falando do PT é o sujo falando do mal lavado”, disparou.

Aécio “saudou” ironicamente o retorno da candidata às origens petistas e a acusou de atuar como “linha auxiliar do PT”. Eis que veio uma resposta de Luciana Genro: “com todo o respeito, linha auxiliar do PT, uma ova, candidato Aécio! Porque o PT aprendeu com o senhor, aprendeu com o seu partido”.

 

“Bônus zen”: Eduardo Jorge (2014) 

Ao contrário dos outros momentos citados acima, um candidato à presidência em 2014 ficou marcado por sua postura amistosa e tranquila nos debates. Trata-se de Eduardo Jorge, do PV, que hoje é candidato a vice na chapa da Marina Silva. Abaixo, alguns dos momentos mais divertidos de Eduardo Jorge nos debates:

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