Santander e Omaha

As 7 lições que os analistas do Santander aprenderam em uma semana na terra de Buffett

Os estrategistas do Santander, Daniel Gewehr e João Noronha, estiveram em quatro eventos em Omaha e compartilharam o que aprenderam com um dos maiores investidores da história do mercado financeiro mundial

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SÃO PAULO – Em um extenso relatório sobre estratégia da América Latina, em que fala sobre oportunidades de investimento na região e destaca que o Brasil pode estar em um “ponto de virada”, o Santander reservou uma das páginas para falar sobre o que aprendeu no encontro anual de um dos maiores investidores do mundo.

Entre os dias 25 e 30 de abril, os estrategistas Daniel Gewehr e João Noronha estiveram em quatro eventos em Omaha, cidade americana situada em Nebraska, famosa por ser o berço da Berkshire Hathaway e terra natal de Warren Buffett. E trouxe sete lições destes seis dias que participou dos eventos. Os eventos foram: i) encontro anual de acionistas da Berkshire Hathaway; ii) Conferência de Value Investing; iii) o curso de três dias da Universidade de Nebraska “The Genius of Warren Buffett”, ministrado pelo professor Roberto Miles e iv) o 7º jantar da Universidade de Columbia “From Graham to Buffett and Beyond”. 

Um dos eventos foi o famoso encontro anual de acionistas da Berkshire Hathaway, mas além desse eles também estiveram presentes na: Conferência de Value Investing; curso de três dias da Universidade de Nebraska “The Genius of Warren Buffett”, ministrado pelo professor Roberto Miles; e o 7º jantar da Universidade de Columbia “From Graham to Buffett and Beyond”.

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A experiência rendeu sete lições que a dupla do Santander colocou em seu relatório, fazendo uma relação não apenas com o Brasil mas também com 3 empresas listadas na Bovespa.

Veja as 7 lições:

1) O Brasil está de volta ao radar para os investidores globais de valor: um dos gestores ouvidos pelos estrategistas, Charles Brandes, fundador da Brandes Capital, destacou proativamente duas ações brasileiras durante a sua apresentação. São elas, a Sabesp (SBSP3), que apresenta um valuation atrativo em relação a outras utilities e a Embraer (EMBR3), mais competitiva em relação aos seus pares diretos. A visão de Brandes é de que as instituições no Brasil e na América Latina estão mudando para o melhor.  Além disso, muitos participantes do “Genius of Warren Buffett” destacaram interesse e perguntaram quais ações brasileiras comprar.

2) Impacto da tecnologia nos investimentos: ainda no evento de Warren Buffett, o tema tecnologia entrou na pauta como um dos cinco fatores-chave para decidir investir em qualquer negócio. “A tecnologia afetará negativamente, melhorará ou será neutro para alguns negócios”, questiona Thomar Gayner, presidente e CIO (Chief Executive Officer) da Markel Corporation. Além disso, Warren Buffett foi questionado sobre quais tipos de empresa evitar, mencionando shoppings nos EUA, que podem ser um investimento ruim devido a tendência de aumento do e-commerce.

3) Reinvestimentos podem ser oportunidades: além de bom ROIC (Retorno sobre o Capital Investido), baixa alavancagem e preço atrativo, os investidores também devem olhar para as oportunidades de empresas que se beneficiam com reinvestimento, dada a escassez de componentes de retornos do mercado financeiro. Assim, deve-se olhar para companhias que podem continuar crescendo com reinvestimento nela própria. Por este ponto de vista, o Santander destaca que um player importante para se beneficiar disto é a brasileira WEG (WEGE3), que tem uma taxa de reinvestimento atrativa. 

4) Princípios de investimentos de Buffett: (i) negócios: simplicidade e crescimento orientados; (ii) financeiro: ROIC acima de 15% e margem de lucro alta; (iii) Gestão: racional, franca, resistente a imperativos institucionais, manutenção de ganhos (perguntar: para cada US$ 1 mantido, criou-se US$ 1 em valor de mercado?); (iv) Valor: se não puder ser avaliado, não é uma prioridade; Buffet acrescenta ainda que pode ser encontrado mais valor em mercados em recessão.

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5) Remuneração da administração: a gestão das companhias Bershire Hathaway não recebe remuneração através de ações ou opções de ações, uma política que pode parecer contraditória à primeira vista. Buffett prefere pagar remunerações em dinheiro e, em seguida, o gestor pode decidir se compra ou não ações da Berkshire. O ROIC é uma métrica importante para a remuneração da administração.

6) O caráter da gestão importa: em um momento das conferências, Buffett notou: “alguém disse uma vez que, quando se está buscando alguém para contratar, deve olhar para três qualidades: integridade, inteligência e energia. E se você não tem o primeiro, os outros dois te matarão. Você pensa sobre isso, é verdade. Se você contratar alguém sem integridade, você realmente vai querer que eles sejam mudos e preguiçosos”. François Rochon, da Giverny Capital, complementou ainda ao dizer que ao comprar uma companhia, o investidor deve se perguntar: “Você deixaria o CEO/CFO casar com a minha filha?”

7) Recomendações de livros depois dos eventos: após o evento, o Santander recomendou quatro livros, que seguem abaixo. 

– Investing: The Last Liberal Art / Robert G. Hagstrom

– The Warren Buffett CEO: Secrets from the Berkshire Hathaway Managers / Robert P. Miles 

– Concentrated Investing: Strategies of the World’s Greatest Concentrated Value Investors / Allen C. Benello e Michael van Biema

–  Brandes on Value: The Independent Investor / Charles Brandes