Suspiro no governo

As 5 notícias que trouxeram (algum) alívio para a presidente Dilma nesta semana

Duas notícias vindas do campo político e três do campo econômico, estas últimas menos piores do que o esperado, fizeram a presidente dar certo respiro nos últimos dias

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Brasília- DF 22-06-2015 Presidenta Dilma, Patrus Ananias, Aloisio Mercadante, Rasângela Piovizani. do movimento das mulheres camponesas, federaçõ dos trabalhadores na agricultura familiar, Marcos Rochiski e Contag, Alberto Broch. durante cerimônia de lançamento do plano safra da agricultura familiarFoto Lula Marques/AgênciaPT/Fotos Públicas
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SÃO PAULO – Se, desde o começo do governo, a presidente Dilma Rousseff enfrentava dificuldades, ainda mais conta da crise econômica, a governante teve dias de alívio nesta semana.

Isso devido à reforma ministerial, ao enfraquecimento do presidente da Câmara dos Deputados com novas denúncias contra ele e dados “menos piores” do que o esperado, o que deram algum alívio para a presidente.

Contudo, o cenário de dificuldades deve permanecer tanto no campo econômico quanto no político. Assim, novos dados e movimentações políticas devem ser observadas com atenção pelo mercado.

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Confira abaixo as notícias que deram certo alívio para Dilma:

1. Reforma ministerial
A presidente Dilma anunciou hoje a reforma ministerial, dando mais espaço para o PMDB, o que dá um novo fôlego para o governo.

 Na Casa Civil, Jaques Wagner assume e, na Ciência e Tecnologia, Celso Pansera. André Figueiredo vai para as Comunicações e Aldo Rebelo vai para a Defesa. Aloizio Mercadante vai para a Educação. Na pasta de Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos: Nilma Lino Gomes. Helder Barbalho é ministro dos Portos, a Saúde é de Marcelo Castro e Ricardo Berzoini fica responsável pela Secretaria do Governo.

A grande boa notícia na reforma ministerial é a mudança de postura do governo, mostrando-se menos teimoso e mais adaptável aos anseios do mundo político e empresarial”, diz Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice. “Foi pragmática, tomou decisão certa – o governo para de andar para trás”

2. Enfraquecimento de Cunha
Enquanto Dilma mostra sinais de fortalecimento, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) está enfraquecido com novas denúncias e notícias de que ele possui contas na Suíça. 

Assim, ao mesmo tempo peça-chave para pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o presidente da Câmara encontra-se no “olho do furacão”, o que pode dificultar o prosseguimento do processo contra Dilma. Esta é a análise do analista política da MCM Consultores, Ricardo Ribeiro. Segundo ele, em meio a tantas questões sobre se haverá ou não a abertura do processo de impeachment, ter Cunha na presidência da Câmara é um obstáculo para o impeachment, mesmo com a estratégia da oposição para tanto. 

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Cunha falou que continuará apreciando pedidos de impeachment e acredita que concluirá esse trabalho em 10 ou 15 dias. Ribeiro avalia que, com tantas denúncias o envolvendo, o presidente da Câmara carece de legitimidade para guiar o pedido de impeachment. A questão, assim, passa a ser mais essa do que a própria vontade de Cunha de querer conduzir ou não o pedido. Vale ressaltar que, hoje, o deputado se pronunciou ao afirmar que, em dez ou quinze dias, deve definir todas as decisões sobre os pedidos. 

Os próprios aliados veem a situação de Cunha como insustentável. Contudo, de acordo com Lucas de Aragão, Cunha deve se manter na Presidência da Câmara, a despeito de informações sobre contas na Suíça. “Se for condenado, pode sair por pressão política ou decisão pessoal, mas é difícil, seu perfil é de ser muito resiliente”, afirma o analista político.

E os dados do governo?
Os dados ruins do governo ainda mostram um cenário de muitas dificuldades em meio à crise econômica, desafiando o cumprimento das metas fiscais. Contudo, eles foram melhores do que o mercado esperava, dando um certo alívio para o governo. Confira os dados: 

3. Dado do governo central
O Governo Central apresentou no dia 29 um déficit registrou déficit primário de 5,081 bilhões de reais em agosto, metade do que era esperado pelo mercado, o que chegou a animar.

Contudo, vale ressaltar que a  piora das contas do governo federal não dá trégua e aumenta as dificuldades para a equipe econômica. O Governo Central, que reúne as contas do Tesouro Nacional, INSS e Banco Central, registraram no ano até agosto o pior resultado da história, com déficit de R$ 14,013 bilhões.

 Além disso, vale destacar que boa parte da surpresa do resultado fiscal de agosto do governo central, com déficit primário equivalente à metade do esperado pelos economistas, deve-se a uma “jogada de calendário”, com adiamento de despesas, conforme destacou Rafael Bistafa, economista da Rosenberg e Associados, em entrevista para a Bloomberg na última terça-feira

“Houve uma redução de mais ou menos R$ 5 bi de despesas com mudança de calendário para pagamento de abono salarial do PIS, que foi jogado mais para frente e vai atravessar 2016”, disse.

4. Dado do setor público
No dia seguinte, foi divulgado o dado do setor público brasileiro, que r
egistrou em agosto um déficit primário melhor que o esperado pelo mercado, mas insuficiente para impedir o resultado do acumulado do ano de passar para o vermelho, evidenciando as dificuldades para o governo cumprir a meta fiscal em meio à combalida atividade econômica.

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No mês, o rombo primário foi de 7,310 bilhões de reais, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central, contra expectativa de um saldo negativo de 14,45 bilhões de reais em pesquisa Reuters.

5. Produção industrial
Já a produção industrial de agosto mostrou uma retração de 9% na comparação com o mesmo período do ano passado de acordo com informações da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). As expectativas da mediana dos economistas do mercado segundo a pesquisa Bloomberg eram de um recuo de 9,5%. Em julho, na comparação com julho do ano anterior, a produção caiu 8,9%. 

Já na comparação com julho, a produção mostrou queda de 1,2%, ante 1,5% de julho para junho e expectativa de 1,6%. 

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