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Arminio diz que risco é maior do que em 2002, Haddad tenta flertar com mercado e mais notícias da política

Vitória de Temer contra Joesley e Bolsonaro sinalizando estar fora dos debates são mais destaques do noticiário 

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SÃO PAULO – O noticiário eleitoral segue sendo o grande destaque dos jornais desta quinta-feira (23), com atenção para o mercado em alerta sobre os efeitos do pleito para os investidores. Vale destacar que faltam 45 dias para o primeiro turno.

Em entrevista ao Valor Econômico, o economista e ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga, afirmou que os riscos para os mercados durante o período eleitoral são mais graves do que ele mesmo vivenciou à frente do BC em 2002. Desta forma, ele antevê um período de bastante turbulência, refletida em boa parte na cotação do dólar, que já superou os R$ 4 nas últimas sessões. 

“Os mercados vão reagir ao que é dito, a como as coisas são ditas e a quem vai, ao longo do tempo, conquistar a posição de favoritismo no pleito”, apontou. Contudo, ele não vê um cenário de dólar a R$ 7, o que parecia ser extremo para ele, exigindo um governo comprometido com o erro. De qualquer forma, ele aponta que hoje o desafio é maior que 2002 por não bastar recuperar a confiança, como foi feito no governo Lula. 

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Um dos temores maiores do mercado, aliás, é de que “o candidato do PT” vença a eleição, dada as falas e o plano de governo indicando para a volta de políticas anti-mercado. De olho na resistência do mercado ao partido, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad entrou de forma mais enfática no foco de interesse dos investidores, ressalta o Estadão. A campanha presidencial do partido intensificou nas últimas semanas o diálogo com representantes de grandes bancos, instituições financeiras e corretoras de investimentos.

Uma pergunta ouvida frequentemente pelo ex-prefeito, conforme relatos ouvidos pelo jornal, é quem seria a alternativa do PT para comandar o Ministério da Fazenda caso o partido voltasse ao Planalto. Embora evite falar em nomes, Haddad costuma detalhar nas conversas um perfil que considera adequado: um quadro conhecido do mercado, com credenciais fortes, afinado ao projeto petista e dono de uma biografia que remeta ao pragmatismo.

Esticando a corda…

Enquanto isso, em mais uma tentativa de esticar prazo, a defesa de Lula entregou a ministros do TSE parecer com rito para julgar seu registro. De acordo com o site Jota, ministros do Tribunal afirmam reservadamente que a tendência é declarar que Lula não será candidato. Mas a questão fica sobre quando o caso será julgado: ministros avaliam que em um cenário muito otimista seria possível levar o caso a julgamento no plenário da Corte entre 4
e 6 de setembro. Mas, a depender de possíveis manobras processuais, há quem acredite que o caso ficaria para a semana do dia 13 de setembro. Os registros de candidatura à presidência de Marina Silva (Rede), Cabo Daciolo (PATRI) e Guilherme Boulos (PSOL) já foram aprovados pelo tribunal. 

Ainda sobre a chapa do PT, Lula e Haddad dividem protagonismo em vídeo de campanha do PT, diz o Valor, em uma estratégia de vincular a imagem do ex-presidente à de Haddad – ainda desconhecido da maioria dos eleitores. O esforço pode ter relação ao fato de que as pesquisas ainda não mostrarem transferência relevante de votos para o ex-prefeito paulistano – embora se acredite que este fenômeno só ficará mais claro após o início do horário 
eleitoral na TV.

Enquanto a campanha na TV não começa, Marina Silva,  por ora, é a candidata que mais herda votos de Lula, aponta o Datafolha. Sem Lula na disputa, 21% dos eleitores do ex-presidente preferem a candidata da Rede, ante 13% de Ciro Gomes; Haddad vem em 3º com 9%, muito próximo dos 7% de Alckmin e Bolsonaro.

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Bolsonaro: fora dos próximos debates?

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Com a campanha eleitoral esquentando, o mercado também fica de olho nos próximos eventos que podem ser determinantes para a decisão de voto dos eleitores. Neste sentido, chamou a atenção a notícia de que Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República, poderá não participar dos próximos debates de TV. A afirmação foi do presidente de seu partido, Gustavo Bebianno, que questionou o formato dos debates e seu benefício para as campanhas. 

Vale ressaltar que, na última quarta-feira (22), Bolsonaro informou que não irá participar do próximo debate entre os presidenciáveis, que será realizado pelo IFL e a Rádio Jovem Pan na segunda-feira (27), segundo informações do portal UOL.  “Não está previsto não [ir ao debate], devo estar viajando”, disse o candidato ao portal. Segundo ele, é “mais produtivo” não ir ao evento e realizar os atos de campanha.

Falando em atos de campanha, em sua primeira agenda oficial no interior de São Paulo, o candidato do PSL ao Planalto foi a Presidente Prudente, um dos mais fiéis redutos do PSDB, e foi ao ataque contra o ex-governador e candidato tucano, Geraldo Alckmin. “Alckmin se juntou ao que tem de pior na política brasileira. É por isso que os eleitores dele agora estão me apoiando. É só comparar a minha vida pregressa com a dele. Estou no sétimo mandato de deputado federal e não tenho uma mancha. Já ele está na mira da Lava Jato em São Paulo”, afirmou.

Um apoio que não é nada cobiçado para as eleições é a do presidente Michel Temer, algo que é reconhecido pelo próprio emedebista. Contudo, ele teve um motivo para comemorar ontem. 

Por 3 votos a 2, os desembargadores da Terceira Turma do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) condenaram o empresário Joesley Batista, do Grupo J&F, a pagar R$ 300 mil ao presidente Michel Temer (MDB) por danos morais. A decisão foi tomada ontem durante sessão de julgamento. Após a publicação do acórdão pelo Tribunal, caberá recurso ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ao STF (Supremo Tribunal Federal).

O caso remete à entrevista  de Joesley à revista Época em junho de 2017, em que o empresário “desfiou mentiras e inverdades, maculando a honra” do presidente, “com afirmações absolutamente difamatórias, caluniosas e injuriantes”, segundo a defesa de Temer. Na entrevista, Joesley atribuiu ao presidente a “chefia de uma organização criminosa que praticava atos de corrupção e de obstrução à Justiça”.

A defesa de Joesley Batista e a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto informaram que não iriam se manifestar sobre a decisão.

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