Debate LIDE

Armínio compara problemas do Brasil a infecção generalizada e defende Marina em caso BC

Para o ex-presidente do Banco Central, Brasil vive recessão com crescimento baixo; além disso, já passou da hora de simplificação tributária

SÃO PAULO – Em almoço debate realizado pelo LIDE (Líderes Empresariais) nesta segunda-feira (22), um dos principais coordenadores do programa de governo de Aécio Neves, Armínio Fraga defendeu a candidata Marina Silva (PSB) sobre a autonomia formal do Banco Central.

A defesa de Marina sobre a autonomia do BC vem rendendo críticas da campanha de Dilma Rousseff (PT) em relação à pessebista, dizendo que uma independência vai “empobrecer a classe média”. “Querer dizer que a independência do Banco Central vai criar uma ameaça às políticas sociais do Brasil é um absurdo total”, afirmou o economista. 

Durante o debate realizado pelo Lide, ele ainda afirmou que, quando foi presidente do BC entre 1999 e 2002, FHC já havia lhe concedido autonomia em sua atuação. 

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Armínio defendeu a autonomia formal e disse que um dia isso vai acontecer, explicando que a discussão da independência não significa uma independência do Judiciário ou do Legislativo. “É uma independência para ter autonomia operacional”, afirmou, acrescentando que nesse sistema o BC deve perseguir uma meta estabelecida pelo governo, similar ao funcionamento de uma agência do governo.

Armínio acrescentou que o principal mandato da autoridade monetária tem que ser a estabilidade da moeda. “A estabilidade da moeda é um bem público, e quem mais se beneficia disso são os mais pobres”, justificou. Ele ainda lembrou que o BC não consegue, sozinho, afetar a tendência de crescimento da economia, mas disse que a instituição pode suavizar os ciclos econômicos. 

Durante o debate, ele fez o diagnóstico sobre a economia brasileira, comparando os sintomas ao de uma “infecção generalizada”. “É uma septicemia, não é uma verruga que você precisa tirar. É grave mesmo”, ressaltou. 

Segundo Armínio, “o Brasil vive hoje um quadro de recessão e crescimento baixo” e, para ele, do jeito que as coisas estão, não há jeito de o País crescer muito. “O País tem investido pouco e exibe um desempenho fraco na produtividade. Temos, portanto, um problema de oferta e a face mais visível disso é a infraestrutura. Há uma verdadeira crise de infraestrutura em todas as dimensões.”

Na avaliação do ex-presidente do Banco Central, as incertezas no atual governo petista são cada vez maiores. “Temos um quadro fiscal cada vez mais deteriorado e vivemos um problema de oferta. E as respostas do governo são muito pontuais, com uma certa mania de medidas. E o fato é que as medidas não estão resolvendo”, reiterou, dizendo que a economia está estagnada, a indústria vive a sua maior crise dos últimos anos, “apesar deste esforço equivocado” do governo.

Simplificação tributária
O ex-presidente do BC disse ainda que “já passou da hora de uma drástica simplificação do sistema tributário”. Em almoço com empresários promovido pelo Grupo Lide, Fraga acrescentou que é possível simplificar não somente as alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), mas também as regras.

Ele defendeu a unificação dos impostos indiretos e afirmou que é preciso declarar guerra total ao chamado Custo Brasil, que envolve uma série de pequenos problemas econômicos. “Isso deve ser abordado de maneira organizada, com metas e acompanhamentos”, afirmou.

O ex-presidente do Banco Central e um dos principais colaboradores do programa de governo do presidenciável Aécio Neves (PSDB) ainda criticou a atual matriz econômica adotada pelo governo de Dilma Rousseff. Ele afirmou que há uma tendência a fechar a economia e oferecer subsídios e desonerações a diversos setores da sociedade. “Isso pode ser gradualmente desfeito, para termos uma economia muito mais simples”, declarou.

Fraga ainda sugeriu que o gasto público cresça a um ritmo inferior ao do Produto Interno Bruto (PIB), mas acrescentou que mesmo assim é possível continuar a investir em temas importantes como educação e saúde.

Ele também defendeu o aumento da taxa de investimento na economia e sugeriu conduzir o aumento dessa taxa dos atuais 16,5% do PIB para 24%. Com a simplificação da economia e o aumento dos investimentos, o ex-presidente do Banco Central durante o governo de Fernando Henrique Cardoso cravou que é possível fazer o PIB crescer a um ritmo de 4% a 4,5% ao ano.