Ex-BC

Arminio: após trajetória explosiva com Dilma, Temer poderá parar “trem desgovernado” na economia

Para Arminio, o processo de impeachment contra Dilma pode ser "desagradável", mas fará bem "para o futuro do país"

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SÃO PAULO – Em evento promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos e FGV, em Nova York, o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga destacou os desafios que a gestão de Michel Temer terá pela frente. As informações são dos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Valor Econômico. 

Segundo Arminio, que é sócio-fundador da Gávea Investimentos, as políticas econômicas efetuadas pela presidente Dilma Rousseff criaram uma trajetória explosiva para o Brasil. Para ele, por um momento parecia que o Brasil daria certo; quando, por exemplo, Lula assumiu a Presidência e, “de forma surpreendente, ignorou o programa do seu próprio partido e seguiu o modelo [econômico] do antecessor”. Hoje, a economia está “quebrada, na loja de conserto”. A nova matriz econômica, que foi força motriz da gestão de Dilma Rousseff, teria apostado as fichas num modelo errado, de “intervenção, subsídios, uso pesado de bancos estatais, protecionismo contra a concorrência internacional”. Além disso, uma série de escândalos de corrupção” ajudou a afundar o País, e o atual “talvez seja o clímax”.

Para Arminio, o processo de impeachment contra Dilma pode ser “desagradável”, mas fará bem “para o futuro do país”. “Uma vez que isso passe, é provável que tenhamos outro Brasil.”

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Segundo ele, o governo Temer terá muitos desafios pela frente, mas possui legitimidade para trazer soluções aos problemas econômicos que o Brasil enfrenta. Arminio afirmou que gerenciar a economia não será fácil, “mas, agora, nós temos um novo presidente que está encarando isso e ele apresentou as suas visões muito cedo”, destacou, referindo-se ao programa “Uma Ponte para o Futuro”, do PMDB. Para ele, o documento contém “muitas ideias importantes que vão parar esse trem desgovernado no Brasil”. 

O ex-BC também elogiou a indicação a nomeação de Henrique Meirelles para o ministério da Fazenda, destacando acreditar que ele fará boas indicações para a sua equipe. “Agora, nós temos um ministro da Fazenda muito forte. Há rumores sobre quem ele vai indicar para o Banco Central. Ele deverá indicar alguém muito bom.”

Para ele, o Brasil pode voltar a crescer 1% no próximo ano. “Acho que se o governo largar bem já é possível no segundo semestre que a economia comece a dar sinais de vida”, destacou. Fraga usou como exemplo de possível reação rápida da economia o ano de 1999, quando se projetava contração de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), mas o País acabou tendo crescimento. “Já no segundo semestre (de 1999) o PIB começou a crescer a mais ou menos 4% ao ano e ficou assim até a crise de 2001. Então, em tese é possível (a reação da economia no segundo semestre).” 

Fraga minimizou o impacto positivo nas receitas do governo da CPMF e defendeu como prioritária a reforma da Previdência para que o Brasil consiga arrumar as contas públicas e voltar a crescer. O economista falou da necessidade de ação rápida do governo do presidente em exercício Michel Temer para aprovar medidas de ajuste “o quanto antes”. “São tantas (as necessidades), então vai ter que haver uma sequência e acho que o importante é começar. Na medida em que se crie uma sensação de movimento, de progresso, penso que as expectativas vão começar a mudar e talvez seja possível correr atrás de uma agenda mais longa”, disse o ex-presidente do BC.

Para Arminio, as declarações de Meirelles sobre a intenção de cortar despesas do governo mostram na opinião de Fraga que o ministro está sendo “realista e pragmático”. “Ele sabe que o desafio maior é do lado dos gastos. Eu pessoalmente não gosto da CPMF. Acho que seria um aumento de receita relativamente pequeno”, afirmou. “Seria melhor concentrar esforços na reforma da Previdência e no caminho de desvinculação e desindexação do orçamento, esse sim teria um impacto enorme.”

A desvinculação de receitas do orçamento público, na visão do ex-presidente do BC, poderia compensar a falta de aumento de impostos no ajuste fiscal. Ele ressaltou ainda que há “grandes espaços” nas desonerações. No caso da reforma da Previdência, Fraga acha positivo que o governo discuta a questão com os sindicatos. “Os sindicatos precisam olhar esses números com cuidado e pensar no futuro do País. Espero que apoiem”.

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 (Com Agência Estado)