Aprovação de Lula vai a 54%, no maior nível do ano, diz Genial/Quaest

Maior apoio ao atual governo coincide com melhora na percepção sobre programas sociais e economia entre eleitores mais pobres

Marcos Mortari

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia em Contagem (MG) (Ricardo Stuckert/PR)
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia em Contagem (MG) (Ricardo Stuckert/PR)

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Nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (10), mostra que 54% dos eleitores brasileiros aprovam o trabalho que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem feito. O resultado representa um crescimento de 4 pontos percentuais em relação ao último levantamento, realizado em maio, e é o melhor em 7 meses.

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Segundo o levantamento, realizado entre 5 e 8 de julho, de maio para cá, caiu de 47% para 43% o grupo de eleitores que desaprovam o trabalho do mandatário − também no patamar mais baixo desde dezembro do ano passado. Outros 4% não responderam.

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Oscilações positivas para Lula foram verificadas em quase todas as segmentações da amostra, com destaque para as mulheres (grupo no qual a aprovação foi de 54% para 57%), pardos (de 54% para 59%) e pretos (de 56% para 59%), eleitores com idade entre 35 e 59 anos (de 50% para 56%), com nível de escolaridade até o Ensino Fundamental (de 60% para 65%) e renda familiar mensal de até 2 salários mínimos (de 62% para 69%).

Entre as mulheres, a diferença entre aprovação e desaprovação manteve tendência de crescimento observada desde a pior marca, em fevereiro, saindo de 6 pontos percentuais (51% contra 45%) para 18 p.p. (57% contra 39%). Também merece destaque o movimento entre os evangélicos, grupo em que a desaprovação superava a aprovação em 27 p.p. em fevereiro e agora é de 10 pontos.

Já no olhar regional, foram observados saltos entre eleitores do Sudeste (de 42% para 48%), onde agora a aprovação empata com a desaprovação, e do Centro-Oeste e Norte (de 42% para 53%). Neste último caso, as duas regiões são contabilizadas juntas por conta da amostra reduzida.

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A região Sul foi a única em que os índices de Lula pioraram, com a aprovação saindo de 47% para 43%, mas ainda acima do vale de fevereiro (40%). Por outro lado, o Nordeste se manteve como região de maior força do presidente, com aprovação de 69% e reprovação de 28%.

Quanto à avaliação geral do governo, as visões positivas subiram de 33% para 36% em 2 meses − também na melhor marca desde dezembro de 2023. Já as opiniões negativas recuaram 3 pontos percentuais, para 30%, mesmo nível das avaliações regulares.

Neste caso, fica evidente a melhora entre eleitores de menor nível de escolaridade (de 45% para 50% entre aqueles com até o Ensino Fundamental), menor renda (de 44% para 48% entre aqueles com até 2 salários mínimos mensais) e cor parda (de 34% para 40%). Os três grupos representam, respectivamente, 36%, 30% e 45% da amostra. A soma supera 100% porque há interseções.

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Economia

A pesquisa Genial/Quaest também capturou a percepção dos eleitores em relação ao desempenho da economia. Para 36% dos entrevistados, ela piorou nos últimos 12 meses − uma oscilação negativa em 2 pontos percentuais em comparação com maio. Já os que veem melhora oscilaram de 27% para 28% no período.

Em contraste com o quadro de estabilidade na fotografia geral, os dados segmentados mostram uma melhora expressiva na percepção da camada mais pobre da população. Para eleitores com renda familiar mensal de até 2 salários mínimos, a avaliação de que a economia melhorou saltou de 33% para 37%, na melhor marca desde dezembro (39%). Já os que veem piora minguaram de 28% para 24%.

Também houve melhora marginal na percepção de poder de compra − caiu de 67% para 63% o grupo de eleitores que dizem que hoje ele é menor do que um ano atrás −, do peço dos combustíveis − 44% acham que ela subiu em 12 meses (em maio eram 48%) − e do preço dos alimentos − 70% apontam alta (contra 73% dois meses atrás).

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Quanto às expectativas para os próximos 12 meses, 52% dos entrevistados apostam em uma melhora − alta de 4 pontos percentuais em relação ao último levantamento e melhor marca desde dezembro, quando o grupo somou 55%. Já os que esperam uma piora recuaram de 30% para 27% de maio para cá. E os que acreditam em poucas mudanças oscilaram de 19% para 18% no mesmo período. Outros 4% não responderam.

O levantamento Genial/Quaest perguntou, ainda, sobre o conhecimento e nível de aprovação dos eleitores em relação a 6 programas do atual governo. Da lista testada, o Farmácia Popular é o com os níveis mais elevados, sendo apoiado por 86%.

Na sequência, aparece o Bolsa Família, que teve um crescimento de aprovação de 4 pontos percentuais, para 80%. O Desenrola, que viabilizou a renegociação de dívidas de brasileiros com descontos, vem na terceira posição, aprovado por 73%.

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O programa que teve o maior variação em nível de conhecimento e aprovação foi o Pé de Meia, que traz um incentivo financeiro para estudantes concluírem o Ensino Médio público. Foi um salto de 6 pontos percentuais, para 60%. Já o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Programa Acredita seguem com os níveis mais elevados de desconhecimento pelos eleitores: 51% e 56%, respectivamente.

Metodologia

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.000 eleitores brasileiros com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, entre os dias 5 e 8 de julho. A coleta de dados foi feita através de entrevistas face a face por meio da aplicação de questionários estruturados. A margem máxima de erro estimada para o levantamento é de 3,1 pontos percentuais para cima ou para baixo para o total da amostra (nos dados segmentados, o número aumenta, dependendo do tamanho de cada grupo).

O nível de confiança da pesquisa é de 95%. Isso significa que, se ela tivesse sido feita mais de uma vez sob condições e período idênticos, esta seria a probabilidade de os resultados se repetirem dentro do limite da margem de erro.

Marcos Mortari

Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.