Folha de S. Paulo

Após sombra de Meirelles e fogo amigo de Lula, Levy adota postura mais “light”

De acordo com a coluna Painel do jornal Folha de S. Paulo desta sexta-feira, o ministro da Fazenda teria aceito falar mais em crescimento e até ajuda a estados e municípios, em vez de apenas "ajuste fiscal"

SÃO PAULO – Ele já foi alvo de uma série de críticas e armadilhas por conta de sua postura mais austera do que a maioria das figuras governistas aceitavam. Não foram poucas as vezes em que a imprensa, ao cabo de um ano, noticiou uma possível saída de Joaquim Levy – o estranho no ninho, um ortodoxo em uma casa que prefere a heterodoxia – do comando da Fazenda. Na mais recente situação, o fogo amigo foi mais intenso e contou com a orquestração do ex-presidente Lula, que tentava convencer Dilma Rousseff a substituir o ex-diretor do Bradesco pelo ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.

Era mais uma manobra para o mentor da presidente ganhar mais espaço na tomada de decisões do Planalto, após emplacar a dupla Ricardo Berzoini-Jaques Wagner para a responsabilidade do núcleo da articulação política com a reforma ministerial. No entanto, Dilma resistiu – quanto tempo isso durará, é uma incógnita, mas a permanência do ministro pode ter ganho uma sobrevida. Juntamente com o gesto de sua chefe, Levy também parece ter mudado de postura – e o comportamento também tem sido observado por colegas.

Conforme noticia a coluna Painel do jornal Folha de S. Paulo desta sexta-feira (20), o “mãos de tesoura” estaria menos afiado e mais compreensivo. Em seu vocabulário, não consta mais apenas “ajuste fiscal”, mas “crescimento” e até “empréstimos a estados e municípios”. Em vez de falar apenas em remédio amargo, o ministro tem incorporado ao seu discurso o que já havia sido apontado por Lula há meses: os dias melhores do futuro. Qual é a melhor maneira de convencer alguém a tomar uma atitude indesejável? Levy tem entendido que o caminho é explicar os resultados que serão obtidos no futuro com tal comportamento. Isso o ajuda a sofrer menos desgastes na política e a se manter no comando de uma das pastas mais importantes da Esplanada.

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“Na aula de corte e costura, o ministro Joaquim Levy parece estar aprendendo a falar menos de corte e mais de costura”, teria afirmado o experiente senador Romero Jucá (PMDB-RR) sobre a nova versão “light” do ministro. Aos poucos, Levy vai incorporando o rito político – o que pode render-lhe melhores resultados e a reconquista de um prestígio perdido no Congresso.

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