Crise na Ucrânia

Após “sim esmagador”, Crimeia pede oficialmente para se integrar à Rússia

Cerca de 97% dos eleitores votaram a favor da anexação da região ao território russo; EUA advertem para possíveis sanções adicionais à Rússia

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SÃO PAULO – O Parlamento da Crimeia pediu oficialmente para se tornar parte da Rússia nesta segunda-feira, um dia após referendo na região sul da Ucrânia ter mostrado maioria esmagadora favorável a adesão à Federação Russa. O chefe da comissão do referendo da Crimeia, Mikhail Malyshev, disse que 96,77% dos eleitores votaram a favor da anexação da região ao território russo.  

O Parlamento “fez uma proposta à Federação Russa para admitir a República da Crimeia como novo integrante com o status de república”, informou a Casa em comunicado em sua página na Internet.

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Uma delegação do Parlamento da Crimeia tem visita a Moscou prevista para esta segunda-feira para discutir os procedimentos necessários para que a península do mar Negro se torne parte da Federação Russa.

EUA advertem para possíveis sanções adicionais à Rússia 
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, advertiu para possíveis sanções adicionais contra a Rússia, garantindo que “nunca” reconhecerá o resultado do referendo do último domingo.

Em conversa telefônica mantida com o presidente russo, Vladimir Putin, Obama disse que o referendo feito “sob intervenção militar russa”, viola a Constituição da Ucrânia e que os Estados Unidos “nunca” reconhecerão o resultado. “Estamos dispostos a impor custos adicionais à Rússia pelos seus atos”, avisou Obama, de acordo com comunicado divulgado pela Casa Branca.

Na mesma conversa, Putin reiterou a legitimidade da consulta popular. Obama reiterou que uma solução diplomática não poderá ser alcançada enquanto as forças militares russas continuarem as suas incursões em território ucraniano.

A reunificação da Crimeia com a Rússia deve causar a maior alteração no mapa da Europa desde a independência do Kosovo em relação à Sérvia, em fevereiro de 2008, acontecimento que Putin cita como exemplo.

As autoridades autônomas da Crimeia convocaram o referendo na sequência da deposição do presidente ucraniano pró-Rússia Viktor Ianukóvitch em fevereiro, após três meses de violentos protestos em Kiev, a capital, liderados pelas forças da oposição.

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Depois da queda de Ianukóvitch, forças apoiadas pela Rússia assumiram o controlo da península do Sul da Ucrânia, transformada no foco do mais grave conflito entre Leste e Ocidente, desde o fim da Guerra Fria.

Os cerca de 1,5 milhão de eleitores da Crimeia foram chamados a responder duas perguntas: Aprova a reunificação da Crimeia como membro da Federação da Rússia? e Aprova a restauração da Constituição da Crimeia de 1992 e o Estatuto da Crimeia como parte da Ucrânia?. 

(Com Reuters e Agência Brasil)