Explicações

Após pesadas críticas, governo Temer defende reajuste de servidores com impacto de R$ 58 bi

Em entrevista realizada no Palácio do Planalto na véspera, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, fez questão de vincular os aumentos aprovados com uma negociação realizada pelo governo anterior

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SÃO PAULO – Após consentir com reajuste para os servidores que pode gerar uma elevação de R$ 52,9 bilhões nas despesas públicas até 2018, aprovado pelo plenário da Câmara dos Deputados nesta semana, o governo do presidente interino Michel Temer convocou jornalistas para argumentar que a medida não estaria em desacordo com a regra de teto para o crescimento dos gastos públicos, vinculado à inflação do ano anterior.

Em entrevista realizada no Palácio do Planalto na véspera, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, fez questão de vincular os aumentos aprovados com uma negociação realizada pelo governo anterior. De todo modo, Padilha também ressaltou que os acordos não superam a inflação do período, o que os coloca em conformidade com a meta de controle de despesas públicas.

No mesmo sentido, o ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira (substituto de Romero Jucá, exonerado), argumentou que barrar os aumentos previamente acertados poderia provocar uma severa crise com o funcionalismo. Para ele, os aumentos já estavam previstos no Orçamento anual e representariam um “sacrifício dos servidores” para o ajuste das contas do governo em um momento de dificuldades.

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Principal defensor dos ajustes nas contas, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, teria concordado com o presidente interino e salientado que o importante é que a regra recém-anunciada seja cumprida, o que faz com que, caso alguma das despesas superar o teto estabelecido, cortes em outros setores terão de compensar. Ainda é uma zona cinzenta os gastos com saúde e educação, que, após a aprovação da DRU (Desvinculação de Receitas da União), ganham permissão de serem alterados, a despeito da promessa de Temer de que os percentuais seriam mantidos.