Após pedido de arquivamento do MPF, Lira promete recorrer em ação contra Felipe Neto

No mês passado, presidente da Câmara acionou Polícia Legislativa após ter sido chamado de “excrementíssimo” pelo youtuber; ofensa ocorreu durante a participação de Felipe em um seminário sobre regulação das redes

Fábio Matos

Arthur Lira (PP-AL) discursa no plenário da Câmara dos Deputados (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)
Arthur Lira (PP-AL) discursa no plenário da Câmara dos Deputados (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)

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O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), parece estar mesmo disposto a levar às últimas consequências o embate judicial contra o influenciador digital e youtuber Felipe Neto, de 36 anos.

O parlamentar anunciou, na segunda-feira (20), que vai acionar a Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (MPF) para contestar o pedido de arquivamento de uma ação apresentada por ele contra Felipe Neto.

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No mês passado, o presidente da Câmara acionou a Polícia Legislativa após ter sido chamado de “excrementíssimo” pelo youtuber. A ofensa ocorreu durante a participação de Felipe em um seminário promovido pela Câmara que tinha como tema a regulação das plataformas digitais.

Na ocasião, participando por videoconferência, Felipe Neto usou a palavra pejorativa contra Lira, em alusão ao tradicional termo “excelentíssimo”, comum nos meios político e jurídico.

Na sexta-feira (17), o MPF pediu o arquivamento do caso, entendendo que não houve prática de crime. Segundo o parecer do órgão, “as palavras duras dirigidas ao deputado, conquanto configurem conduta moralmente reprovável, amoldam-se a ato de mero impulso, um desabafo do investigado, não havendo o real desejo de injuriar ou lesividade suficiente”.

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Por meio de uma nota divulgada na segunda-feira, Lira afirmou que recorrerá.

“O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, irá recorrer do parecer do Ministério Público Federal pelo arquivamento do procedimento criminal contra o senhor Felipe Neto. O recurso será enviado para a Câmara de Coordenação e Revisão do MPF”, diz o comunicado enviado pela assessoria do presidente da Câmara.

Em mensagem publicada em sua conta no X (antigo Twitter), Felipe Neto celebrou a posição do MPF sobre o caso. “O procurador deixou claro que não houve crime. Enfrentaremos toda tentativa de silenciamento!”, escreveu o influenciador.

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“Excrementíssimo”

Ao participar do debate sobre o projeto de lei (PL) das Redes Sociais, Felipe Neto indicou ser favorável à regulação e afirmou que as pessoas, em geral, “continuam acreditando na censura”. “Eles continuam acreditando que vão ser controlados e perderão o direito de falar determinadas coisas. O que é preciso para a gente mudar esse cenário? É preciso que a gente se comunique mais. É preciso que a gente fale mais com o povo, convide mais o povo para participar”, defendeu.

Na sequência, o empresário criticou Arthur Lira. “Como o Marco Civil da Internet brilhantemente fez. Como era o PL 2630 [das Redes Sociais], que foi, infelizmente, triturado pelo ‘excrementíssimo’ Arthur Lira”, disse Felipe.

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O influenciador conta com mais de 46 milhões de inscritos em seu canal no YouTube. Nas eleições de 2022, Felipe Neto declarou abertamente seu apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que derrotou o então presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno. No passado, porém, o youtuber “explodiu” na internet fazendo críticas ao PT e aos governos de Lula e Dilma Rousseff. Recentemente, Felipe Neto afirmou que estava “errado” em sua avaliação e chegou a pedir “perdão” a Dilma por propagar o “antipetismo”.

Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”