Análise da LCA

Após mais um “problemão” cair no colo de Temer, dois riscos assombram o governo federal

Crise de segurança no Espírito Santo é mais um dos indícios que mostram que os  estados se transformaram em enorme fonte de dor de cabeça para o governo federal

SÃO PAULO – Se 2016 já mostrava que seria difícil para o governo federal com relação aos estados, o ano de 2017 mostrou o quanto a situação pode piorar, conforme destaca a LCA Consultores. “Os estados se transformaram em enorme fonte de dor de cabeça para o governo federal”, apontam os consultores.

Num primeiro momento, a questão foi a inadimplência dos estados praticamente falidos, caso do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Depois vieram as chacinas e as guerras de facções em presídios do Rio Grande do Norte, Roraima e Amazonas.

Agora, a questão é o Espírito Santo e a onda de violência que assola o estado em meio à greve da Polícia Militar.  “O imbróglio surgiu justamente em um estado cujas finanças estão equilibradas. Não chega a ser paradoxal porque o ajuste fiscal exigiu congelar o salário dos servidores do estado”, afirma a LCA.

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Segundo os consultores, o exemplo do Rio de Janeiro, onde se tornaram comuns os atrasos no pagamento de salário, não foi suficiente para convencer os policiais militares do Espírito Santo a não apelar para uma greve, disfarçada de movimento promovido espontaneamente por familiares.

Neste cenário, a LCA aponta que dois riscos assombram o governo. O mais grave é o movimento grevista transbordar para outros estados. Porém, outra fonte de preocupação é a possibilidade dos governadores abrirem o bolso para conceder aumento para os policiais, o que fatalmente gerará pressões para que outras categorias também sejam beneficiadas. “O Rio de Janeiro, justamente o mais quebrado dentre todos eles, já capitulou perante os rumores de que as polícias do estado também cruzariam os braços. Preservar a ordem é função básica do Estado e obrigação dos governantes, estaduais e federal”, afirmam os consultores, que definem: “mais um problemão caiu no colo do governo federal”.