Análise

Após greve dos caminhoneiros, Michel Temer se prepara para nova ameaça política

A retirada de setores antes previstos no benefício da manutenção da desoneração deve gerar um clima de tensão com o Congresso

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SÃO PAULO – Contornados alguns dos principais efeitos da greve do transporte de carga, que percorreu o Brasil nas últimas duas semanas e provocou uma crise de desabastecimento nas mais diversas regiões, o governo do presidente Michel Temer não pode respirar aliviado. Recordista em impopularidade e com uma erosão de apoio no Legislativo, o emedebista corre crescentes riscos de sofrer novos reveses à medida que as eleições se aproximam.

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Mesmo com a volta das atividades nas rodovias e o reabastecimento de combustíveis nos postos e alimentos nos mercados, Temer deve se preparar para mais uma batalha, que pode, como se observou nas concessões aos caminhoneiros, provocar efeitos ainda mais perversos à saúde das contas públicas. Isso porque, para equacionar a situação da categoria, compensando uma redução no preço do diesel, o governo vetou parcialmente projeto aprovado pelos parlamentares.

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Em edição extra do Diário Oficial da União, publicada na última quarta-feira, Temer vetou a manutenção da desoneração de 11 setores da economia, como o de empresas estratégicas de defesa, de transporte aéreo de carga e de passageiros regular e de serviços auxiliares, de empresas editoriais, de manutenção e reparação de aeronaves, de manutenção e reparação de embarcações, e do setor varejista de calçados e artigos de viagem.

Esta foi uma das medidas para equacionar o subsídio (entenda todo o processo clicando aqui). Como o cobertor é curto, enquanto caminhoneiros foram agraciados, outros setores da sociedade saíram prejudicados. É o caso de determinados grupos empresariais.

A retirada de setores antes previstos no benefício da manutenção da desoneração deve gerar um clima de tensão entre Congresso e governo, com os parlamentares recebendo novas pressões de empresários para derrubar o veto de Temer. A disputa ganha contornos ainda mais dramáticos com a aproximação do calendário eleitoral e a impopularidade do atual governo.

Derrotar o Planalto requer 257 votos de deputados e 41 de senadores, o que não é tarefa simples, mas tampouco impossível — e que irá demandar esforço de mobilização da tropa de choque de Temer. O que se sabe no momento é que a pressão de empresários será grande e há parlamentares muito interessados em impor novas derrotas ao governo. A combinação pode ser explosiva para as contas públicas — mais uma vez.

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(com Agência Senado)

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