Após final de ano pior que o esperado, Banco Fator reduz projeções do PIB para 2012

Agravamento da crise deverá fazer com que setor externo colabore menos com o crescimento da economia brasileira

SÃO PAULO – Após um final de ano pior que o esperado, a Banco Fator Corretora optou por reduzir a estimativa de crescimento da economia brasileira para 2012 e 2013. O agravamento da crise externa é parte responsável disso, já que reduz o preço e a quantidade de produtos exportados pelo Brasil, fazendo com que esse setor tenha menor contribuição para o PIB (Produto Interno Bruto). 

“Ao mesmo tempo reduzimos a previsão do dólar no final de 2012 em 5 centavos, para R$ 2,00. Assim, houve alteração nas importações, que devem contribuir mais uma vez para reduzir o PIB brasileiro”, destaca José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. O economista revisou para baixo a produção industrial para 2013, mas reduziu a sua projeção para o varejo apenas marginalmente – acreditando que este continuará sendo o carro chefe da economia nacional. 

Gonçalves lembra que as recentes medidas de estímulo do governo deverão colaborar para a elevação de investimentos no próximo ano. O governo deverá ter uma atuação mais forte, com relevante participação das estatais. “Nossa estimativa para o investimento privado foi revista para cima”, destaca o economista. Além disso, a proximidade dos grandes eventos esportivos sediados no Brasil em 2014 e 2016 deverão fazer com que esses investimentos apareçam com maior clareza no segundo semestre, lembra o economista.

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E fora do País?
No cenário externo, Gonçalves destaca os riscos políticos salientados pela estrategista do Banco Fator, Lika Takahashi. De acordo com ela, o Irã deverá continuar a ser o ponto mais crítico politicamente no quadro global, por conta da sua posição estratégica e possível poder nuclear. No Oriente Médio, o Iraque também chama a atenção, com a retirada das tropas norte-americanas por lá. 

O atual presidente norte-americano, Barack Obama, deverá ganhar com isso – e suas chances de reeleição são altas na percepção da estrategista. Contudo, o partido republicano deverá manter a maioria no Congresso. Eleição também é assunto na Rússia, que “testa os limites de sua adaptação ao capitalismo e à democracia”. O ex-presidente e atual primeiro-ministro, Vladimir Putin é candidato a presidente em 2012. 

A troca de comando também é assunto na China, fazendo com que Lika levante dúvidas sobre a estratégia de crescimento e possível instabilidade política no gigante da asiático. Enquanto isso, a península da Coreia deverá estar em turbilhão por conta da morte do líder norte-coreano Kim Jong-Il – já que geralmente o que se segue à morte de um líder de regime baseado no culto à personalidade, são períodos conturbados.