Após falas de Lula e Mantega, Meirelles aponta barreiras na substituição do dólar

Presidente do Banco Central também volta a defender posição do País no câmbio, afirmando que "não há ingenuidade" na questão

SÃO PAULO – Depois de declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendendo a substituição do dólar como principal moeda nas transações internacionais, Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, lembrou que o assunto é um pouco mais complicado.

Na véspera, o ministro da Fazenda afirmou que levaria sua proposta à cúpula do G-20, reunida na Coreia do Sul. Lula, por sua vez, se manifestou nesta quinta-feira (11) sobre o assunto, dizendo que “não dá para continuar do jeito que está com a guerra cambial”. “Desde o ano passado, estamos chamando os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) para substituir o dólar nas transações. É um trabalho de convencimento”, declarou o presidente.

Falando à Câmara Mista de Orçamento, Meirelles afirmou que o uso do Direito Especial de Saque (espécie de moeda emitida pelo FMI) como reserva poderia ser positivo, mas tem como barreira a falta de liquidez desse ativo no mercado – como acontece com muitas outras moedas, inclusive o real. “É uma decisão do G-20 e do FMI. Mas, para isso, tem de haver um acordo global para que haja liquidez do DES”.

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Sem ingenuidade
Meirelles também aproveitou a chance para dizer que o País não é ingênuo e está se defendendo na questão cambial, através da intensa compra de dólares e também via medidas prudenciais.

Apesar de reconhecer os efeitos da “guerra cambial” nas exportações, o presidente do BC afirmou que a redução do saldo comercial ocorre principalmente pelas importações, que crescem devido ao forte avanço da economia doméstica.