Pós-vitória

Após denúncia barrada, aliados cobram a fatura de Temer e fazem duas principais ameaças

Legendas que votaram em peso a favor do presidente elevaram a pressão para ocupar cargos que estão hoje nas mãos de "infiéis"

SÃO PAULO – Após a votação na Câmara dos Deputados que barrou a denúncia contra o presidente Michel Temer na última quarta-feira, os partidos da base aliada do governo que votaram em massa a favor do peemedebista estão cobrando o seu preço. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, as legendas elevaram a a pressão por cargos ocupados por “infiéis”. Eles fazem duas ameaças principais, aponta o jornal: travar a discussão da reforma da Previdência e até retirar apoio ao presidente na votação de uma provável segunda denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria Geral da República). 

O principal alvo das reclamações é o PSDB: o partido ocupa quatro ministérios e cargos em escalões inferiores, mas entregou menos da metade de seus 46 votos a favor do governo. Após a vitória do governo na Câmara, dirigentes do PMDB e de siglas do chamado centrão deram recados ao governo para exigir uma recompensa imediata pela fidelidade demonstrada no placar de 263 votos. Essas legendas reclamam de “sinais trocados” enviados pelo Planalto nos últimos dias, que demonstrariam um recuo em promessas de reorganização dos cargos ocupados pela base. As legendas alegam que votaram a favor de Temer sob a condição de que teriam suas demandas atendidas de imediato. Parte delas, inclusive, ameaça abrir processos internos para punir quem se posicionou contra ele. 

Os partidos da base afirmam que, se não forem atendidos, vão interditar o debate sobre a reforma da Previdência. Ontem, em entrevista à rádio Band News, Temer se mostrou otimista com o apoio que pode ter na Câmara dos Deputados para a aprovação da reforma . Por outro lado, afirma a Folha, dirigentes do centrão tratam como “piada” a tentativa do governo de retomar essa discussão antes do pagamento das “faturas”.

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Na última quinta, Temer consultou líderes da base sobre a possibilidade de começar a votação do projeto na primeira quinzena de setembro e finalizá-la até o final de outubro, mas há resistências entre deputados governistas tanto em relação ao conteúdo como ao calendário. Assim, em conversas, o presidente reconheceu a necessidade de reorganizar a base antes dessa votação.

Esse é, aliás, um dos principais desafios do presidente após a vitória na Câmara, conforme destacado por consultorias logo após a votação da denúncia. De acordo com a Barral M. Jorge, o Palácio do Planalto deverá reequilibrar as forças partidárias nos ministérios para agraciar os partidos do centrão que garantiram a rejeição da denúncia, como PP, PR, PSD e PTB e punir as traições. “Entre eles, destaque para o PSDB, até então principal parceiro na base aliada e detentor de quatro ministérios, que instruiu seus deputados a votarem a favor da denúncia, obtendo 21 votos a favor, 22 contra e 4 ausências”. Conforme ressalta a Folha, o presidente cobrará fidelidade dos partidos governistas e pretende retirar cargos de segundo e terceiro escalões de deputados infiéis. Contudo, para garantir o apoio do PSDB e do PSB, que ficaram rachados na votação, o governo não pretende fazer mudanças na cúpula nos Ministérios.

Temer já está em ação e vai se reunir com o núcleo duro do Planalto no fim de semana para estabelecer agenda de prioridades no Congresso, além de um cronograma de ação para tramitação da reforma da Previdência, diz a Folha. Segundo a publicação, o governo vai definir como encaminhar a votação de medidas provisórias consideradas prioritárias, como as do Refis, da reoneração da folha e de terras para estrangeiros. Já o jornal O Estado de S. Paulo aponta  que parlamentares da base aliada querem concentrar esforços nas próximas semanas na aprovação da reforma política, porque essas medidas precisam ser aprovadas na Câmara e no Senado em 60 dias para que tenham validade já nas eleições de 2018