Crise

Após demitir Mandetta, Bolsonaro acusa Maia de conspiração: “Parece que a intenção é me tirar do governo”

Presidente chamou de "péssima" a atuação do parlamentar nas propostas para enfrentar a crise e insinuou haver uma trama contra seu governo

Jair Bolsonaro
(Foto: Alan Santos/PR)
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SÃO PAULO – Poucas horas após comunicar a demissão de Luiz Henrique Mandetta do comando do Ministério da Saúde, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) direcionou criticas ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Em entrevista à CNN Brasil, o mandatário chamou de “péssima” a atuação do parlamentar nas propostas econômicas para enfrentar a crise do novo coronavírus e insinuou haver uma trama contra seu governo. Para ele, há um objetivo em “conduzir o Brasil ao caos” e “esculhambar a economia para que eles possam voltar em 2022”.

“Eu lamento a posição do Rodrigo Maia, que resolveu assumir o papel do Executivo. Eu respeito ele, mas ele tem que me respeitar. Lamento a postura que ele vem tomando. O sentimento que tenho é que ele não quer amenizar os problemas. Ele quer atacar o governo federal, enfiar a faca. Parece que a intenção é me tirar do governo. Quero crer que esteja equivocado”, afirmou.

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Bolsonaro fazia referência ao projeto de lei complementar, aprovado na última segunda-feira (13) pelo plenário da Câmara dos Deputados, que fornece um auxílio a estados e prefeituras no enfrentamento à doença ao estabelecer que as perdas de arrecadação com ICMS e ISS de abril a setembro sejam integralmente compensadas pela União.

A proposição tem sido criticada por membros da equipe econômica pelo impacto fiscal gerado e por, segundo eles, estimular uma “má gestão tributária”, já que há uma garantia de que toda a perda de arrecadação com os dois impostos será compensada pelo governo federal.

“O Brasil não merece a atuação dele dentro da Câmara. Não é o Parlamento brasileiro, é a atuação dele. Rodrigo Maia, péssima a sua atuação. Quando você fala em diálogo, a gente sabe qual é o teu diálogo, então esse tipo de diálogo não vai ter comigo”, disse. “Não estou rompendo com o Parlamento, não. Muito pelo contrário, é a verdade que tem que ser dita”.

Logo após a entrevista com Bolsonaro, foi a vez de Maia falar com a emissora. Para o deputado, o presidente estava tentando cobrir o episódio da demissão de Mandetta – figura que contava com amplo apoio da sociedade – com um novo episódio político, mas que não teria uma resposta no nível que desejava.

“O presidente ataca com um velho truque da política, com a demissão ele quer mudar o tema”, disse. “O presidente não vai ter ataques [da minha parte]. Ele joga pedras e o parlamento vai jogar flores”.

Na entrevista, Maia comparou a troca de comando na pasta da saúde durante a crise do do novo coronavírus como a substituição de um “general quatro estrelas” no meio de uma guerra. “Vamos dar uma chance ao novo ministro, mas a saída do Mandetta assusta”, pontuou.

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O deputado pregou, ainda, união no enfrentamento à doença, mas deixou uma provocação ao presidente: “A crise é horizontal, o isolamento é horizontal, não vertical. Não escolhemos quem vamos salvar”, disse em referência à estratégia defendida por Bolsonaro, em que apenas pessoas do grupo de risco (idosos e portadores de doenças crônicas) adotariam o isolamento social.

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