Após condenação, aliados de Bolsonaro falam em “suprema perseguição”

Flávio Bolsonaro e oposição criticam julgamento e reforçam articulação pela anistia no Congresso

Marina Verenicz

Ativos mencionados na matéria

O senador Flávio Bolsonaro durante manifestação em Copacabana (Reprodução/X)
O senador Flávio Bolsonaro durante manifestação em Copacabana (Reprodução/X)

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A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na trama golpista pelo Supremo Tribunal Federal (STF) gerou reação imediata entre seus aliados no Congresso.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou o julgamento como “suprema perseguição” e intensificou a retórica de que seu pai é alvo de um processo político, ecoando discurso que passou a ser replicado por apoiadores nas redes sociais.

“A pretexto de defender a democracia, os pilares da democracia foram quebrados para condenar um inocente que ousou não se curvar a um ditador chamado Alexandre de Moraes”, escreveu Flávio no X (antigo Twitter), referindo-se ao relator do processo no STF.

A fala ocorreu após o voto da ministra Cármen Lúcia, que consolidou o placar de 3 a 1 pela condenação.

Fortalecimento da PEC da anistia

Paralelamente, deputados da oposição reagiram com uma nota conjunta classificando o julgamento como “político” e reforçando a defesa da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da anistia.

O líder da oposição na Câmara, deputado Zucco (PL-RS), afirmou que o resultado no STF “fortalece” a articulação da pauta entre os parlamentares.

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“Estamos trabalhando a pauta da anistia com tranquilidade e firmeza em diálogos com líderes de outros partidos”, disse Zucco, após acompanhar a sessão presencialmente na Primeira Turma do Supremo.

A PEC da anistia pretende beneficiar condenados pelos atos de 8 de Janeiro de 2023 — e, se avançar, pode gerar efeitos diretos sobre Bolsonaro e outros aliados envolvidos na tentativa de golpe.

Discurso se desloca para redes

As críticas de Flávio Bolsonaro foram acompanhadas por uma onda de publicações nas redes sociais com frases como “querem matar Bolsonaro”, numa tentativa de reforçar a narrativa de perseguição política.

A insinuação ecoa falas recentes do próprio ex-presidente, que tem sugerido risco de morte em caso de prisão, alegando agravamento de seu estado de saúde.

O senador, que tem sido o principal porta-voz do pai desde que foi decretada sua prisão domiciliar em 4 de agosto, acompanhou a votação do STF no Senado e, logo após a maioria ser formada, dirigiu-se à casa do pai, no Jardim Botânico, em Brasília.

“Chamam de julgamento um processo cujo resultado já se sabia antes mesmo de começar. A isso chamam de defesa da democracia. Não, isso é defesa da supremacia”, escreveu Flávio.

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