"Joaquim"

Após Aquarius, diretor de filme brasileiro em Berlim lê manifesto contra o governo Temer

Marcelo Gomes e fez um discurso em que afirmou que o país "sofreu um golpe parlamentar" e aproveitou para dedicar a sessão "a todos os que estavam resistindo ao governo ilegítimo"

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SÃO PAULO – Nem um ano se passou desde o protesto da equipe do filme “Aquarius” em Cannes e uma nova manifestação política da classe foi visto no exterior. Após a sessão de gala de “Joaquim”, na noite de quinta-feira (16), no Festival de Berlim, o diretor Marcelo Gomes leu um manifesto de cineastas contra o governo de Michel Temer.

 Gomes subiu ao palco do Berlinale Palast e fez um discurso em que afirmou que o país “sofreu um golpe parlamentar” e aproveitou para dedicar a sessão “a todos os que estavam resistindo ao governo ilegítimo”. Na plateia, vários espectadores seguravam cartazes com os dizeres “Temer raus” (“Fora, Temer” em alemão) e gritavam palavras de ordem.

 Logo após a sessão para a imprensa, em que o filme foi bastante elogiado, houve uma entrevista coletiva com o diretor, que leu uma carta assinada por representantes de 11 dos 12 filmes brasileiros que fazem parte da seleção oficial (apenas João Moreira Salles não assinou).

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“Estamos vivendo uma grave crise democrática no Brasil. Em quase um ano sob esse governo ilegítimo, direitos da educação, saúde, trabalhistas foram duramente atingidos. Junto com todos os outros setores, o audiovisual brasileiro, especialmente o autoral, corre sério risco de acabar”, diz o documento.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Gomes disse não temer sofrer com problemas após esta manifestação como aconteceu com “Aquarius” – após o ato em Cannes, o filme de Kleber Mendonça Filho recebeu classificação indicativa de 18 anos e foi desbancado para tentar o Oscar, o que despertou suspeitas de retaliação política.

“Seria uma bobagem, como foi bobagem o que fizeram com ‘Aquarius'”, afirmou. “Tem que acabar esse flá-flu. O filme é para todos os brasileiros refletirem sobre o passado e mudarem o presente”, completou o diretor.