Após aprovação do mínimo, Governo terá mais confiança do mercado, diz Gradual

Para economista, ajuste fiscal pode sair do papel e próximos dias deverão registrar expectativas menos agressivas para a taxa Selic

SÃO PAULO – A vitória do Governo na aprovação do novo salário mínimo em R$ 545,00 na noite da última quarta-feira (16), representou a primeira demonstração de articulação da base aliada frente à uma medida polêmica.

Segundo André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, a vitória expressiva no Congresso, 361 votos a favor contra 120 de oposição, sinaliza também o comprometimento do governo Dilma com o ajuste fiscal anunciado na última semana. A partir de agora, ganha força a lógica de que “quanto mais o mercado acreditar em Dilma, menos ela terá que jurar”, afirma o economista.

Com isso, nos próximos dias Perfeito prevê um avanço das expectativas para um cenário “menos agressivo” na taxa básica de juros, em razão da influência da “desaceleração econômica em termos relativos (devido a base alta de comparação e ao quase pleno emprego) e às medidas de contenção do crédito”.

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Previsão da Selic
O economista acredita que o Copom (Comitê de Política Monetária) realizará uma elevação de 50 pontos-base no juro básico, e que “talvez pare por aí”.

“O mercado está precificando algo entre 125 e 150 pontos-base de alta ainda este ano, mas a ação das medidas macroprudenciais e o conjunto de dados econômicos disponíveis deve desarmar o argumento básico dos analistas da inflação pela ponta da demanda”, afirmou Perfeito.

Superávit primário dentro da meta
Por fim, quanto ao superatvit primário, a previsão da corretora é de que o aperto fiscal consiga fazer com que o patamar desejado pelo Banco Central (3,0% em 2011 e 3,1% em 2012) seja atingida.