"Plano B"

Após ação da PF, Lula pede que Jaques Wagner “não recue”

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, ex-presidente recomendou que o aliado não abra mão de seus projetos políticos

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SÃO PAULO – Poucas horas depois da realização de uma ação de busca e apreensão pela Polícia Federal na residência de Jaques Wagner, na última segunda-feira (26), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um telefonema ex-governador baiano. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o líder petista recomendou que o aliado não abra mão de seus projetos políticos e “não recue”.

De acordo com o jornal, o gesto foi encarado por petistas como uma demonstração de que um “plano B” do partido envolvendo Jaques Wagner segue de pé. Caso Lula seja impedido de disputar a presidência devido a um possível enquadramento na Lei da Ficha Limpa, o nome do ex-governador da Bahia é visto como uma das principais alternativas.

Wagner tem atribuído a ocorrência a uma espécie de perseguição política, tendo em vista o aparecimento de seu nome como possível herdeiro do ex-presidente na corrida pela sucessão da Michel Temer no Palácio do Planalto. Para ele, a ação da PF seria uma intimidação.

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Embora o ex-governador baiano mantenha-se à disposição de Lula, ainda há dúvidas sobre seu interesse em abrir mão de uma candidatura competitiva ao Senado em troca de uma embarcar em uma disputa difícil pela presidência da República. Também muito se questiona acerca de sua competitividade.

Segundo o mais recente levantamento feito pelo instituto Datafolha para a corrida presidencial, Lula lidera em todos os cenários em que seu nome é avaliado, com uma faixa entre 34% e 37% das intenções de voto. Já seu ex-ministro Jaques Wagner, na condição de substituto como representante do PT na disputa, pontuaria apenas 2%. A despeito do número baixo, vale ressaltar que o próprio partido não trata publicamente de alternativas à candidatura de Lula. A estratégia no momento é levar o nome do ex-presidente na disputa até as últimas consequências.

Com uma situação ainda nebulosa, sobram dúvidas sobre quais caminhos o PT seguiria se o cenário cada vez mais provável se confirmar: Lula fora das eleições. Por ora, uma aliança com qualquer candidato da esquerda segue descartada. O caminho hoje tende a ser encontrar algum nome dentro do partido para substituir seu maior líder. Caso tal figura não seja o favorito Jaques Wagner, também são especulados o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, além dos ex-ministros Patrus Ananias e Celso Amorim. Também é alvo de especulações o governador do Piauí, Welington Dias.