Cisão sobre Venezuela

Apoio veemente de Gleisi a Maduro desagrada Lula e expõe divisão no PT sobre Venezuela

Enquanto a presidente do PT defende apoio incondicional à Assembleia Constituinte do venezuelano, Lula defende maior moderação

SÃO PAULO -Segundo destaca o jornal Folha de S. Paulo desta quarta-feira (26), a situação na Venezuela e a convocação de uma assembleia para reescrever a Constituição do país expôs uma situação de fissura interna dentro do PT. Isso porque, enquanto a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do partido, manifesta apoio incondicional à Constituinte, uma ala petista defende maior moderação sobre as decisões de Nicolás Maduro.

O próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal nome da legenda, está preocupado com a administração do presidente venezuelano e teria, mais de uma vez, recomendado moderação a Maduro. Lula ainda defende a neutralidade do governo brasileiro em busca de uma solução pacífica para a Venezuela e seria contrário à realização da Constituinte em um momento tão delicado no país, em que uma onda de protestos já deixou mais de cem mortos nos últimos meses.

Por outro lado, Gleisi faz defesa irrestrita da Assembleia, conforme demonstrou em meados deste mês ao abrir o 23º encontro do Foro de São Paulo, na Nicarágua. Em nome do PT, ela manifestou “apoio e solidariedade ao governo do PSUV [Partido Socialista Unido da Venezuela], seus aliados e ao presidente Maduro frente à violenta ofensiva da direita”. 
“Temos expectativa de que a Assembleia Constituinte possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da Revolução Bolivariana e que as divergências políticas se resolvam de forma pacífica.”

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A presidente do PT reafirmou o aval do partido à convocação da assembleia nesta terça-feira (25) e comparou a atuação da oposição venezuelana à brasileira, que levou ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “A oposição a Maduro quer chegar ao poder como [o presidente Michel] Temer. Parece que as coisas lá [na Venezuela] são diferentes.” Ela ainda afirmou não haver contradição no fato de o PT reivindicar eleições diretas no Brasil e endossar a Assembleia Constituinte na Venezuela. “Gostando-se ou não de Maduro, ele tem legitimidade, foi eleito em urna, o que não é o caso de quem hoje governa o Brasil”.