Você Fiscal

Aplicativo que ajuda a fiscalizar fraudes em urnas já está disponível para download

Criado pelo professor da Unicamp Diego Aranha, o Você Fiscal pode ajudar a identificar fraudes na contagem de votos

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SÃO PAULO – No último fim de semana entrou na Play Store (loja de aplicativos do Google) o “Você Fiscal”, aplicativo criado pelo professor da Unicamp Diego Aranha para que a população consiga fazer uma fiscalização independente das eleições a partir do próximo domingo. O programa foi viabilizado por conta do financiamento coletivo via Catarse. 1.148 pessoas fizeram doações e ajudaram a levantar R$ 65.540,00, mais que o dobro da meta de R$ 30 mil.

Para ajudar é muito simples: o eleitor só precisa ir até onde votou e tirar uma foto do Boletim de Urna (BU), que é o “saldo” que toda urna imprime no final da votação, com os totais de votos para cada candidato naquela urna. Sua afixação é obrigatória em local público assim que a votação terminar, às 17 horas (horário de Brasília).

O funcionamento é simples: pelo aplicativo, o eleitor tira foto do Boletim de Urna após o encerramento da eleição e envia para o sistema. Com isso, os computadores do Você Fiscal calculam por amostragem um resultado independente e comparam com os números oficiais do TSE.

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Depois da eleição, o TSE publica não apenas o resultado final, mas também a versão oficial dos Boletins de Urna de todas as seções eleitorais. Com isso, o Você Fiscal consegue comparar a foto que foi tirada com a versão oficial do BU e ver se elas batem. “Se a urna for extraviada, trocada ou adulterada depois do fim da votação, o sistema irá detectar”, diz Aranha.

Tendo um número suficiente de usuários (que depende da distância entre os candidatos no resultado oficial), o Você Fiscal consegue estimar um resultado independente e compará-lo ao oficial. Caso ocorra um bug ou fraude no software que roda nos computadores do TSE para somar o resultado final, o aplicativo irá detectar. Veja abaixo um vídeo lançado pela equipe do “Você Fiscal” explicando como funciona o aplicativo:

Para saber mais sobre o aplicativo, clique aqui.

Urnas não são seguras
Em entrevista ao InfoMoney, o professor Diego Aranha contou que as urnas não são seguras e que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não parece estar disposto a mudar a situação. Em 2012, um grupo liderado pelo professor realizou diversos testes nas urnas brasileiras e em poucos minutos conseguiu quebrar o sigilo dos equipamentos, mostrando que a tecnologia utilizada está bastante ultrapassada. 

Para conferir toda a entrevista, clique aqui.

Uma das melhores formas de tornar nosso processo mais seguro e transparente seria usar um sistema “híbrido”, ou seja, utilizar a urna eletrônica e também emitir algum comprovante físico da votação para que o eleitor possa conferir o resultado. Esse tipo de sistema já é utilizado em diversos países na Europa, principalmente os que utilizam a 3ª geração de urnas eletrônicas. “Um sistema híbrido poderia unir as qualidades de cada método de votação e ainda tornar possíveis fraudes algo mais fácil de detectar”, explica.