Apesar de incertezas globais, Bob Doll mantém perspectiva de recuperação dos EUA

Estrategista prevê efeitos negativos para o Japão no curto prazo e Arábia Saudita pouco vulnerável politicamente

SÃO PAULO – Bob Doll, estrategista-chefe da BlackRock, coloca a crise política nos principais países produtores de petróleo e a catástrofe no Japão como fatores de maior influência sobre o desempenho do mercado no momento.

Para ele, “investidores têm ampla disponibilidade de dinheiro para aplicar e as ações ainda estão subvalorizadas”, o que deve colocar o mercado em uma trajetória positiva, entretanto, isso só deve ocorrer na medida em que surgirem soluções paras as crises geopolíticas existentes, o que, segundo Doll, ainda não tem prazo definido.

Petróleo não deve atrapalhar
O estrategista crê que o petróleo, mesmo valorizado, não avançará a ponto de prejudicar o crescimento norte-americano em 2011, que segue com previsão de 3% por parte da BlackRock, convencida pelos dados recentes da economia dos EUA. 

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“Riscos geopolíticos são, é claro, impossíveis de prever e o mercado petrolífero é notóriamente volátil, mas nós não esperamos que os preços subam ainda mais”, afirma Doll, baseado no fato do baixo risco de um contágio da Arábia Saudita, a qual, segundo ele, possui economia e fundamentos políticos mais fortes do que seus vizinhos.

Entretanto,apenas o risco de contágio já serve como combustível para a ansiedade do mercado, reconhece o estrategista.

Japão: reflexos apenas no curto prazo?
Já a catástrofe no Japão, que abala os mercados desde sexta-feira, é vista como causadora de um impacto negativo na economia japonesa apenas no curto prazo, embora ainda seja cedo para dimensionar a extensão dos impactos, principalmente enquanto ainda há uma luta real contra vazamentos na usina nuclear de Fukushima.

Desastres naturais “geralmente têm apenas um impacto econômico temporário, a menos que haja uma resposta política considerável e permanente”, finalizou Bob Doll.