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Apesar de futuro promissor, infraestrutura e inflação são pedras no caminho do Brasil

Especialistas apontam questões estruturais, como tributação excessiva, como obstáculos para que País atinja seu potencial

SÃO PAULO – “No meio do caminho tinha uma pedra”, disse Carlos Drummond de Andrade na década de 1920. Passados mais de 80 anos, são muitas as pedras no caminho do Brasil antes que o País realmente cumpra seu futuro promissor.

O assunto foi um dos temas mais abordados por economistas e analistas no evento organizado na última terça-feira (29) pela Bloomberg em São Paulo. Infraestrutura, falta de mão de obra qualificada, baixa taxa de investimentos dividiram espaço com a já conhecida necessidade de consolidação fiscal, que foi abordada por quase todos os participantes do evento.

O lado fiscal
“O maior problema do Brasil é a vulnerabilidade fiscal. Há pouca flexibilidade no orçamento”, disse Milena Zaniboni, diretora da Standard & Poor’s, que afirmou que o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento, anunciado no início do ano, foi um bom primeiro passo.

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Apesar disso, Milena lembrou que por ora, essa medida se restringe a um discurso – ou seja, o que mais importa – sua implementação – ainda segue como uma dúvida. Rafael Guedes, diretor da Fitch Ratings, tem opinião semelhante. Os sinais têm sido positivos, mas são menos de 90 dias. Não há nada de concreto, só sinais”, disse, destacando que a situação do País “não é a ideal”.

Carlos Geraldo Langoni, ex-presidente do Banco Central, também mencionou o assunto. “O Brasil deveria aprender com o ajuste fiscal europeu, não fazer o ajuste fiscal durante a crise, mas quando a economia está em expansão, porque o custo econômico e político é muito menor”, disse.

Os gargalos
Apesar de ser um dos problemas mais mencionados, a questão fiscal não é a única barreira para que o Brasil se consolide no novo cenário internacional. A resolução dos gargalos internos também é um passo fundamental nesse caminho.

“O Brasil não pode crescer 7,5% no ano ainda, existem desequilíbrios internos, estrangulamentos visíveis – em energia, infraestrutura”, explicou Guedes.

A própria força do mercado doméstico também é evidência disso, como apontou Thaís Marzola Zara, economista-chefe da Rosenberg e Associados. “No ano passado tivemos um vazamento externo enorme, mostrando que não temos condições de atender a demanda crescendo como ela está”.

Sinais dessa falta de capacidade também são vistos no mercado de trabalho, onde o rendimento real segue em forte alta apesar da inflação em alta e da já baixa taxa de desemprego, mostrando que não há muito espaço para crescer. No 2º semestre, vamos ter diversos dissídios importantes, mais o reajuste do mínimo no início do ano que vem – como você vai segurar isso agora?”, completa a economista.

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Há ainda muitas pedras no caminho brasileiro: a pesada tributação na folha de pagamento, a carga tributária de modo geral, a educação deficitária que resulta em mão de obra não qualificada, a baixa taxa de investimentos e a importação primariamente focada em insumos são apenas alguns dos pontos citados pelos economistas. Carlos Geraldo Langoni, ex-presidente do BC, defendeu ainda um “upgrade na política econômica”, incluindo uma autonomia formal da autoridade monetária.

Já outra conhecida dos investidores – a inflação – não ganhou muita atenção dos participantes do evento. “O País está mais normal, e com isso aparecem os problemas normais também – como a inflação, que sempre será um problema, mas não é o mais importante”, resumiu Luiz Fernando Figueiredo, fundador da Mauá Investimentos.

O papel do setor privado
Um caminho para resolver essa situação pode ser uma maior participação do setor privado, sugere o diretor da Fitch. “Não há falta de capital privado para investir, o Brasil está muito melhor do que os outros BRICs em termos políticos e tem condições muito favoráveis para atrair capital privado. Falta um marco regulatório. Espero que Dilma abra uma onda de concessões privadas, ainda que não privatizações, para modernizar a infraestrutura”, pontuou Guedes.

Como representante do setor privado, Roberto Castello Branco, diretor de relações com investidores da Vale (VALE3, VALE5), também opinou sobre o futuro brasileiro, colocando-se como um “otimista mais moderado”.

“A oportunidade do Brasil é enorme, considerando a reestruturação da economia global e nosso acesso a recursos naturais. Mas temos países que são tão ricos quanto nós que deram certo – Canadá, Austrália, Chile – e que deram errado – Argentina, por exemplo”, explicou.

Segundo ele, a chave é aproveitar o potencial e investir – tanto em capital humano quanto em infraestrutura, que precisa contar com mais participação do setor privado, o que, por sua vez, depende de políticas melhores e mais transparentes.

Castello Branco também defendeu o câmbio flutuante, que “deve ser mantido para evitar choques”, e uma política fiscal contracíclica.