Apesar de favorável, recuo tímido do IPCA em fevereiro não entusiasma economistas

Desempenho do item alimentação é exaltado; na outra ponta, forte alta do segmento educação é destaque negativo

SÃO PAULO – A ligeira queda mensal do IPCA (Índice de Preços aos Consumidor Amplo), de 0,83% para 0,80%, não entusaismou analistas, entretanto, o ” comportamento extremamente benigno do grupo alimentação na margem” mereceu o destaque do economista André Perfeito, da Gradual Investimentos.

“O conjunto dos alimentos recuou de 1,16% o mês passado para 0,23% agora e sugerem que, depois de ter subido tanto nos últimos meses, agora é vez de certo arrefecimento”, avaliou Perfeito.

Fatores de pressão
Já Julio Hegedus Netto, da Interbolsa, além de destacar o desempenho dos alimentos, deu ênfase ao item educação, o qual apresentou forte avanço ao atingir 5,8% frente aos 0,3% de alta registrados no mês anterior.

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Hegedus Netto pede atenção ao comportamento destes itens em março, em razão do impacto de alguns preços administrados, como as tarifas dos transporte público em São Paulo, recém reajustadas. “Somado a isto, ainda teremos impacto do grupo educação em alguns estados”, finalizou o economista.

Por fim, a equipe do Banif também destaca a inflação dos alimentos como principal responsável pelo índice ter recuado acima do esperado. Contudo, “o núcleo da inflação continua elevado, tendo subido 5,85% nos últimos 12 meses, enquanto o índice de difusão permanece acima da média histórica” alerta a instituição.

Em suma, mesmo com a queda tendo superado previsões, o IPCA de fevereiro sugere que o panorama para a inflação no médio prazo permanece preocupante.